Mundo Rural exige revisão urgente da Lei Eleitoral

Mundo Rural exige revisão urgente da Lei Eleitoral

António Paula Soares, que encabeça o Manifesto Pelo Mundo Rural, denuncia que o atual sistema “penaliza e continua a tirar voz ao Interior, contribuindo ainda mais para a sua desertificação”.

Lisboa, 29 de abril de 2019 – O Manifesto Pelo Mundo Rural, movimento de intervenção política e socioeconómica pela defesa do ruralismo e em nome da união e da coesão nacional, defende que “é urgente proceder a uma revisão da Lei Eleitoral, uma vez que “o Interior continua a ver a sua representação política cada vez mais menorizada, pondo em causa a Democracia em Portugal”.

António Paula Soares, presidente da Associação Nacional de Proprietários Rurais Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC) e figura que encabeça o Manifesto, lamenta o “desequilíbrio e o enorme fosso em expansão entre as realidades rural e urbana que continua a não merecer a devida atenção por parte dos legisladores e altos responsáveis políticos nacionais, apesar dos sucessivos apelos feitos pelos intervenientes do Mundo Rural e por algumas figuras políticas”.

“Fala-se muito do Interior desertificado, mas parece que só se lembram do Mundo Rural na altura dos incêndios. Como é que se pode dizer que se quer apoiar a realidade rural e combater a desertificação do interior, quando a sua representação política está em risco e marcada por uma perda de voz crescente? É esta uma das razões que nos levou a criar o Manifesto”, explica o responsável.

Durante o primeiro debate organizado pelo Manifesto, que contou com a presença e apoio de várias figuras políticas, nomeadamente os candidatos às Europeias Carlos Zorrinho (PS), Álvaro Amaro (PSD), Nuno Melo (CDS-PP) e Paulo Sande (Aliança),e candidatos às Legislativas como Patrícia Fonseca (CDS-PP), Pedro do Carmo (PS) e Sofia Afonso Ferreira (D21), assim como do deputado social-democrata Nuno Serra e o líder da Juventude Popular Francisco Rodrigues dos Santos, a necessidade de alteração da Lei Eleitoral foi tema constante.

Os participantes denunciaram a situação “inqualificável”, referindo que “um terço do país – Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Alentejo Central – elege apenas 8 deputados, enquanto o Algarve Litoral elege 9” e referem ainda as perdas de deputados noutras zonas de Portugal – Guarda perde um dos quatro deputados anteriormente eleitos, assim como Viseu, sendo que estes distritos perdem os seus representantes para os principais polos urbanos: Lisboa e Porto.

“A própria unidade nacional e a garantia de um Portugal democrático estão em perigo. Este Manifesto é também um convocar do Governo e da Administração para que façam o seu papel na demonstração da importância dos espaços rurais e das populações que os suportam, para a sociedade em geral. Tem de haver uma reação a esta realidade, uma compensação, uma forma de equilíbrio, para que as áreas do Interior desertificadas e o Mundo Rural continuem a ter a devida representação. Não há políticas efetivas para fixar as pessoas no Interior e o sistema político atual ainda as penaliza mais, tirando-lhes representação e voz”, finaliza António Paula Soares.

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