Moradores receiam químicos no olival perto de casas em Estremoz mas promotores afastam risco

Moradores receiam químicos no olival perto de casas em Estremoz mas promotores afastam risco

As preocupações e os receios dos moradores na zona do Baldio da Eira, em Veiros, no concelho de Estremoz, que se estendem também aos possíveis impactos ambientais, surgem por estar a decorrer, a escassos metros das casas, a preparação de terras para a instalação do olival.

Mas um representante dos promotores do olival superintensivo, contactado pela agência Lusa, afastou a possibilidade de existirem riscos.

“Só vamos utilizar produtos biológicos, não vamos utilizar herbicidas químicos. Vamos recorrer ao vinagre concentrado em vez de um herbicida agroquímico”, alegou.

Um dos moradores que vai ter o novo olival como “vizinho”, António Silveira, de 76 anos, defendeu hoje à Lusa que “devia haver um limite de distância do olival para as casas”.

“Quem deu ‘luz verde’ para este projeto está a pôr à minha porta e à porta dos meus vizinhos aquilo que não quer à porta dele”, argumentou, durante uma visita da Lusa ao local onde está a ser instalada a cultura.

António Silveira considerou que “a responsabilidade maior é de quem aprovou este projeto” e observou que “quando forem feitas pulverizações o vento vai levar os produtos químicos para as casas e para os quintais, causando problemas de saúde e afetando os produtos hortícolas”.

Outra residente, Dina Marvão, de 35 anos, alertou para as “implicações que o olival pode trazer para a saúde das pessoas, devido à aplicação de muitos produtos químicos”.

“Não vamos poder abrir uma janela e vamos ficar privados de ar puro”, disse, frisando que não é “contra o progresso” da agricultura, mas este deve ser feito “tendo em conta a saúde e os bens das pessoas”, pelo que o olival deveria ser plantado “mais afastado das casas”.

Margarida Véstias, de 63 anos, apresentou os mesmos argumentos dos vizinhos para justificar o seu descontentamento e lembrou que já se manifestaram no local contra a instalação do olival perto das casas.

Confrontado pela Lusa sobre estas preocupações dos moradores, o consultor da empresa promotora do projeto, Miguel Reis, afirmou que, no olival, “em vez de ser utilizado um herbicida agroquímico, vai ser utilizado vinagre concentrado, biológico e muito menos agressivo, produzido por uma empresa espanhola”.

“Não vamos usar o herbicida Glifosato, ao invés, vamos usar vinagre concentrado enquanto as oliveiras forem pequenas. Mais tarde, iremos substituir as ervas daninhas não desejadas por leguminosas e assim abolir o uso de qualquer tipo de herbicida”, argumentou.

Miguel Reis indicou também que vai ser feita “uma sebe de proteção às casas” e o controlo fitossanitário será feito com o “uso de produtos biológicos”.

Este projeto de um jovem agricultor, de plantação de um olival em sebe, numa parcela pertencente ao Perímetro de Rega de Veiros, foi desenvolvido através de uma candidatura ao Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, aprovado pelo Ministério da Agricultura, acrescentou.

O presidente da Câmara de Estremoz, Francisco Ramos, explicou à Lusa que, de harmonia com o que é da responsabilidade do município, no âmbito do Plano Diretor Municipal, trata-se de “uma zona rural e está dentro do Perímetro de Rega de Veiros”.

O licenciamento para a instalação do olival é da responsabilidade da Direção Regional de Agricultura do Alentejo, para onde foram enviadas as queixas apresentadas na câmara sobre esta plantação, entidade que “decide em função do quadro legal existente”, sublinhou.

“Se concluírem que a plantação do olival é altamente prejudicial para a saúde pública, estamos do lado da população, embora sem nada poder fazer, devendo o olival ser mais afastado das habitações”, afiançou o autarca.

A Junta de Freguesia de Veiros, em comunicado, disse estar “solidária com a justa preocupação das pessoas”, tendo reportado o assunto para o presidente da câmara.

O Bloco de Esquerda, o PCP e a associação ambientalista Quercus já alertaram, em comunicados, para a instalação deste olival perto de casas.

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O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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