Ministro da Economia admite “nova fase do ciclo económico” com abrandamento mundial

Ministro da Economia admite “nova fase do ciclo económico” com abrandamento mundial

O Governo admite que a economia portuguesa vai entrar numa “nova fase do ciclo económico” em resultado do abrandamento da procura mundial. O Executivo afasta a ideia de uma contração do PIB, acredita que Portugal vai continuar a crescer mais que a média da União Europeia, mas mostra-se menos otimista, apesar de no Orçamento do Estado para 2019 ter assumido uma ligeira desaceleração do ritmo de crescimento económico para o próximo ano. Para já não há revisão da projeção. Em abril, logo se vê.

“O percurso das empresas feito até aqui foi importante para a nova fase do ciclo económico (…) num cenário de abrandamento do ritmo de procura mundial”, afirmou o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, em resposta aos deputados da comissão de Economia, no Parlamento.

No OE 2019 o Governo previu um crescimento do PIB de 2,3% em 2018 e 2,2% este ano. No entanto várias instituições apontam para uma travagem acentuada para 1,8%, como o Banco de Portugal.

No entanto, este menor otimismo do Governo não deverá ter reflexos para já na previsão de crescimento económico. Em resposta a uma questão colocada pelo deputado do CDS Luís Pedro Mota Soares, o ministro defendeu que a previsão de variação do PIB inscrita no OE serve sobretudo “para suportar a previsão de receitas fiscais”, bem como de despesas, mas admitiu que esta “evolui e é sensível” à evolução da conjuntura. Pedro Siza Vieira lembrou que ao longo dos anos foi sendo feita uma “adequação” da previsão à conjuntura, uma relação que “não deixará de ser avaliada quando for apresentado o Programa de Estabilidade”, em abril.

O ministro identificou vários motivos para a desaceleração, como a guerra comercial entre a China e o EUA e a incerteza causada pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), que foi chumbado pelo Parlamento inglês esta terça-feira.

Siza Vieira salientou que o facto de Portugal ter uma economia exportadora e aberta faz com que o país seja “impactado por estas mudanças”. No entanto, defendeu que o Governo não antecipa uma contração “e continuamos a prever que a economia cresça acima da média da UE”, apoiando-se nas previsões feitas por várias instituições.

Perante este cenário, o ministro argumentou que é preciso continuar a apoiar as empresas. Destacou boas notícias dos últimos dias – foi dado um “passo importante” para fazer chegar carne de porco à China, houve um reforço de rotas áreas que permitiu aumentar os turistas britânicos para Faro, a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD) vai assinar um contrato com uma instituição financeira para “pela primeira vez fazer chegar dinheiro às Midcap (empresas de média dimensão)” e o reforço de recursos humano na ANI – Agência Nacional de Inovação e o IAPMEI para acelerar a entrega de fundos comunitários às empresas.

(Notícia atualizada com mais declarações do ministro sobre eventual revisão da previsão de crescimento económico)

O artigo foi publicado originalmente em ECO - fundos comunitários.

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