Mercado do porco dá sinais de retoma. Terá chegado ao fim a descida da cotação.

Mercado do porco dá sinais de retoma. Terá chegado ao fim a descida da cotação.

Após as fortes descidas da cotação ocorridas durante 8 semanas consecutivas e que produziram um acumulado de 0,32€/kg carcaça na Bolsa do Porco, a cotação subiu 0,02€/kg.

Após as fortes descidas da cotação ocorridas durante 8 semanas consecutivas e que produziram um acumulado de 0,32€/kg carcaça na Bolsa do Porco, a cotação subiu 0,02€/kg como variação indicativa para a última semana do mês de Maio. Apesar desta ligeira subida, na quinzena a cotação desceu 0,01€. Portanto, a tendência de mercado é, neste momento, de subida mas a cotação apresenta uma ligeira descida de 1 cêntimo na segunda quinzena de Maio.

No mercado nacional, de um momento para o outro, passou-se de um excesso de oferta de porcos, quer em número de cabeças quer em peso, para uma forte redução da oferta e que já se situa bem abaixo da procura. Bom sinal para toda a fileira, e em especial para os produtores.

A lenta e paulatina retoma da actividade económica, com a reabertura dos restaurantes e de outros estabelecimentos do canal Horeca, aliado a uma habitual redução sazonal de oferta de porcos para abate permitem que o mercado ganhe fluidez e que haja novo fôlego para enfrentar o Verão que se aproxima.

Em toda a Europa, com excepção da Dinamarca que desceu e da Espanha, que praticamente manteve a cotação, na última semana do mês, as restantes praças europeias do porco apresentaram subidas significativas das cotações, com a Alemanha a liderar essas subidas e ter arrastado as cotações na holanda, na Bélgica e na Áustria.

Apesar de haver matadouros fechados em vários países europeus (Alemanha, Holanda, França) e de a oferta de porcos ainda ser relativamente abundante, os abates estão num ritmo razoável e os pesos, apesar de ainda pouco, vão baixando.

Ao contrário do que é habitual noutros anos, em que no mês de Maio as cotações sobrem e os pesos descem, este ano devido às vicissitudes da COVID-19 o mercado comportou-se de maneira inversa e estivemos com um comportamento de marcado típico de Janeiro e Fevereiro

Tal como referi no meu anterior comentário, a exportação de carne para países terceiros continua a bom ritmo e a China vai comprando enormes quantidades de carne de porco á Europa, apesar de também a ir comprando aos Estados Unidos a preços bem competitivos.

Em Espanha a cotação desceu 0,026€/kg PV nesta quinzena (-0,035€/kg carcaça) para 1,264€/kg PV (1,685€/kg carcaça), se bem que, como referi acima, na última semana de Maio houve uma subida de 0,001€/kg PV. Não que tenha grande influência no mercado real, mas é o tal sinal de que o mercado precisa para anunciar que a descida chegou ao fim. Os porcos continuam bastante pesado, mas apesar de ter começado a descida dos pesos, os animais ainda têm cerca de 4kg a mais do que no ano passado nesta mesma altura.

Na Alemanha, a cotação subiu 0,06€/kg carcaça para 1,66€/kg carcaça. O peso médio continua sem alterações nos 97,1kg o que é um sinal de equilíbrio entre a oferta e a procura, mesmo tendo em consideração a existência de matadouros encerrados devido a problemas de trabalhadores positivos à COVID-19, visto que a AMI (uma das estruturas de mercado onde se faz a definição da cotação dos porcos semanalmente) refere que os porcos atrasados já foram todos absorvidos pelo mercado.

Na Holanda a cotação desceu 0,05€ para situar a cotação em 1,60€/kg carcaça. A redução na venda de carne levou a que os porcos tivessem baixado com significado. Em todo o caso, esta descida dos porcos também serviu para que os preços da carne tivessem descido mais do que o justificável por pressão dos compradores de carne. Esta depreciação leva a que a descida não sirva a ninguém da fileira, nem aos produtores nem aos matadouros nem às salas de desmancha e, muito menos, à carne que se encontra congelada. Como referem os holandeses, e bem, nem sempre a descida do preço dos porcos é favorável aos matadouros.

Na Bélgica a cotação subiu 0,06€/kg PV para 1,03€/kg.

Na Dinamarca a cotação desceu 0,04€/kg carcaça fixando-se em 1,57€/kg carcaça. Apesar de haver alguma retoma, esta ainda é lenta e não está a afectar positivamente o mercado dinamarquês. Em todo o caso, as perspectivas são boas e espera-se que as cotações comecem a subir

Em França a cotação desceu 0,008€/kg carcaça passando a cotação para 1,346/kg carcaça, mas as últimas 3 sessões de mercado houve manutenção de cotação, apesar de ter havido um feriado (Quinta-Feira da Ascensão) que obrigou à redução do número de dias de abate. Os pesos mantiveram-se em redor dos 96,5 (mais 1,150g que na mesma semana de 2019). Alguns matadouros fechados devido ao coronavírus afectam o normal ritmo de abate, mas mesmo assim os pesos começam a dar sinal de ceder e o mercado começa a evoluir mais favoravelmente.

Vamos entrar em Junho, mês em que por habito e tradição há subidas na cotação e redução do peso dos porcos. Vermos que aumento haverá na cotação e que descida haverá no peso dos porcos. Desta conjugação de factores, em conjunto com o consumo doméstico e o volume das exportações, dependerá o tecto a que chegarão as cotações dos porcos.

Por Luís Tavares Dias


O artigo foi publicado originalmente em 3tres3.

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