Melhor Pastor de Portugal aplaudido de pé no maior congresso nacional do sector pecuário – 12 e 13 de março no Hotel Vila Galé em Évora
A 17ª edição das Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora ficou marcada pela atribuição do Prémio Nacional da Pastorícia 2026, ao pastor Marcos Rebocho da Herdade do Barrocal, que foi aplaudido de pé por todos os congressistas. Dedicado às ovelhas desde a infância, aos 13 anos ficou responsável por um rebanho de 500 ovelhas que geriu com notável autonomia, domínio técnico e estima. Há 26 anos começou a trabalhar na Herdade do Barrocal onde geria um efetivo de 1.500 ovelhas que foi aumentando ao longo do tempo contando atualmente com um rebanho de 3.000 ovinos.
Integradas nas comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), estas jornadas tiveram como objetivo central valorizar o contributo fundamental dos pastores e dos vaqueiros portugueses que conciliam tradição, eficiência produtiva, boas práticas ambientais e capacidade de adaptação às exigências do sector.

Esta é uma profissão pouco atraente para os jovens, tema amplamente discutido na Mesa Redonda onde se debateu “O Futuro da profissão dos pastores e dos vaqueiros”, concluindo-se que o Estado deveria ter um papel financiador pelo serviço público que o pastor presta à sociedade atraindo naturalmente mais jovens para esta atividade de natureza ecológica vital.
Conciliar tradição e inovação, ou seja, o cajado e o tablet, é um dos grandes desafios da profissão, assim como, comunicar a realidade do que se passa numa exploração agrícola à sociedade civil que maioritariamente habita nas grandes cidades e que desconhece o modo de produção da sua própria alimentação que lhe chega embalada ao supermercado. Valorizar a pastorícia que contribui para a prevenção de incêndios, sequestro de carbono, preservação da biodiversidade e povoamento do território, reconhecendo economicamente estes serviços prestados pelos pastores é fundamental para chamar jovens para o campo.

Nuno Prates, Presidente da Comissão Organizadora das Jornadas, afirma que os pastores são a alma da produção extensiva e os guardiões do ecossistema e destacou no programa desta edição a reprodução bovina. “Tentamos sempre trazer temas atuais para despertar a atenção dos produtores e, este ano, um dos temas foi a transferência de embriões abordado em sala e em alguns workshops”, acrescenta referindo a técnica OPU-FIV que está a revolucionar a reprodução bovina, apresentado por Daniel Bello, doutorado em medicina veterinária, especialista em tecnologias reprodutivas bovinas e fundador da Embriovet, empresa parceira do Hospital Veterinário Muralha de Évora que, em breve, irá começar a prestar este serviço aos clientes. As pastagens do futuro foram outro dos temas apresentados assim como a escassez de mão-de-obra na agricultura concluindo-se que tem de haver uma adaptação das explorações a esta nova realidade.
“A utilização das novas tecnologias ajuda a gerir de forma eficiente as pastagens que são o ativo base do ecossistema que permite que os animais transformem erva, que ninguém aproveita e que é combustível para incêndios sobretudo no verão, em proteína que é o que nos interessa”, diz Nuno Prates referindo que neste momento a produção animal atravessa um bom momento e que o valor justo pela compra de um animal está a ser pago ao produtor. No entanto, um dos pontos atuais mais críticos do sector é a falta de mão-de-obra. As pessoas preferem viver em cidades e desta forma perdem o contacto com o campo, resultando desta distância uma falta de noção de onde e como se produz. Os alimentos não chegam à prateleira do supermercado de uma forma fútil, mas por trás deles, há todo um trabalho invisível de carácter técnico e humano que integra tecnologia, promove o bem-estar animal e garante a segurança alimentar do prado ao prato.

A proliferação de novas doenças e as questões da biossegurança nas explorações assim como o papel do médico veterinário foram outros dos temas em discussão no congresso.” Temos várias doenças emergentes, umas que já chegaram a Portugal, e outras que podem vir a chegar, nomeadamente a doença nodular contagiosa, que já está em Espanha, e tem classificação de nível A, o que significa que todo o efetivo tem de ser abatido, caso haja algum animal com a doença comprovada. Estas doenças nunca param de aparecer e temos de estar preparados para elas”, refere o presidente da comissão organizadora das jornadas afirmando que as explorações pecuárias estão cada vez mais conscientes e preocupadas em cumprirem os planos profiláticos que evitam que as doenças entrem nas explorações.
Com três salas de palestras a decorrerem em simultâneo, uma vocacionada para os ruminantes, outra de comunicações científicas e outra direcionada para os equinos, estas jornadas contaram ainda com vários workshops, que permitem aliar a componente teórica à vertente prática, e com uma exposição de fotografia “Pastores pelo Mundo” composta por imagens tiradas nos vários continentes que mostram a dimensão social, económica e cultural da pastorícia no planeta.

À semelhança dos anos anteriores foram entregues vários prémios. O Prémio Inovar na Pecuária Extensiva foi ganho pela Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos e o Prémio de Melhor Comunicação Oral foi atribuído a Paulo Carvalho, da Sexing Technologies, com o trabalho “Utilização de gonadotrofina coriónica equina recombinante em protocolos de IATF de vacas leiteiras”. O melhor poster foi para Beatriz Carvalho que apresentou um trabalho sobre “Prevalência e Fatores de Risco da Teireliose Bovina na Raça Alentejana” e o Prémio OMV Melhor Jovem Investigador foi dado a Maria Margarida Azinhais com o trabalho “Prevalência de Chlamydia abortus em ovinos e caprinos do Alto Alentejo e sudoeste da Extremadura.”
Com cerca de mil participantes estas jornadas terminam com um olhar no futuro e a motivação necessária para fazer mais e melhor as próximas.
“A motivação vem sempre do ano anterior e as pessoas já têm este evento marcado na agenda. Isso dá-nos alento para encontrarmos temas pertinentes e inovadores para que os nossos produtores possam crescer e aprender e entre todos sermos mais produtivos”,
afirma Nuno Prates neste congresso revestido de um simbolismo especial devido à associação com as comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, uma forma de reconhecer e homenagear o papel destes ecossistemas e do património humano que os sustentam que culminou na atribuição do prémio ao Melhor Pastor de Portugal.
Fonte: Jornadas Internacionais do Hospital Veterinário Muralha de Évora















































