Jaime Gama dá conselhos a produtora de canábis em Cantanhede

Jaime Gama dá conselhos a produtora de canábis em Cantanhede

O histórico socialista Jaime Gama, atual presidente do conselho de administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos e do Novo Banco dos Açores, é um dos membros do conselho consultivo internacional da Tilray, uma multinacional que em outubro de 2017 começou a cultivar em Cantanhede a maior plantação de canábis em Portugal, com um volume de produção acima das 60 toneladas no final de 2018.

Em declarações ao Público, o ex-presidente da Assembleia da República garantiu que irá colaborar “com total independência de avaliação”, justificando o convite com o facto de a empresa “certamente [apreciar] ter em conta a opinião de quem integrou um governo (1995-2002) pioneiro de novas políticas para debelar a toxicodependência”, em referência ao cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros no Executivo de António Guterres.

A Tilray tem um plano de investimento de 20 milhões de euros em Portugal e tinha como objetivo recrutar, até ao final do ano passado, uma centena de trabalhadores para a sua unidade de produção no distrito de Coimbra, que inclui estufas, laboratórios e uma unidade de processamento. A filial portuguesa foi constituída em março de 2017 – clima, enquadramento regulatório, acesso à União Europeia e mão-de-obra disponível foram os argumentos para a escolha – e a maioria da produção deverá seguir para a Alemanha.

As raízes da Tilray estão na Califórnia, onde está instalada a sua empresa-mãe, a Privateer Holdings. Contudo, os primeiros passos desta empresa dedicada ao cultivo e transformação de canábis para fins medicinais passam pelo Canadá, onde se instalou em 2013. “Há dois anos, decidimos que precisávamos de encontrar uma outra localização no mundo, onde pudéssemos ter uma licença. Comecei a procurar. Portugal chegou à lista dos preferidos entre os países que tinham potencial”, disse há um ano o CEO Brendan Kennedy.

Também a Cannbit, produtora israelita de canábis para fins medicinais, anunciou em dezembro de 2018 que pretende avançar com um processo de internacionalização, admitindo estar a estudar a instalação de um centro de produção em Portugal – o volume de investimento e a localização não foram divulgadas à Reuters –, para exportar daqui para o resto do mundo.

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