Investigadores avaliam risco para abelhas melíferas

Investigadores avaliam risco para abelhas melíferas

O projeto ‘ApisRAM’, que “pretende validar um modelo de avaliação de risco para colónias de abelhas melíferas a nível europeu”, vai reunir em Coimbra “especialistas da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e investigadores do Brasil, Dinamarca, França, Irlanda, Itália e Portugal” entre os dias 22 e 24 de janeiro.

De acordo com José Paulo Sousa, coordenador da equipa portuguesa que é composta por sete investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), este modelo “permitirá prever o estado de saúde das colónias de abelhas adotando uma abordagem holística ao problema, integrando não apenas informação sanitária sobre as colónias (por exemplo, incidência de varroa e outras doenças) e efeitos derivados da exposição a pesticidas, mas também a influência da composição e gestão da paisagem (essencialmente ao nível de práticas agrícolas e disponibilidade de recursos florais”.

A solução desenvolvida no âmbito do ApisRAM será utilizada pela EFSA, que financia o projeto, e pelos diferentes países europeus, “não só na avaliação de risco de pesticidas para abelhas, mas também por outras agências (por exemplo, DG AGRI e DG ENV) como ferramenta de gestão do território, permitindo a tomada de decisões sobre as práticas de gestão ao nível da paisagem para minimizar o risco para estes polinizadores”, diz ainda o investigador.

Recorde-se que em 2018, o Parlamento Europeu propôs medidas de “grande escala” para proteger a saúde das abelhas, apoiar os apicultores europeus e promover o mel e a sua utilização enquanto produto terapêutico.

Atualmente, a União Europeia tem cerca de 600 mil apicultores, 10 698 dos quais em Portugal, de acordo com dados publicados pela Comissão Europeia em 2016. No total, produzem-se anualmente, no espaço comunitário, cerca de 250 mil toneladas de mel, o que faz da UE o segundo maior produtor mundial, logo a seguir à China.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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