Indústria agro-alimentar com quebras de 50% nas exportações

Indústria agro-alimentar com quebras de 50% nas exportações

O encerramento dos hotéis e restaurantes, “tem impactos brutais nas vendas” da indústria agro-alimentar portuguesa.

A indústria agro-alimentar está a registar uma quebra de mais de 50% nas exportações desde o início da crise pandémica, a que soma a quebra nas vendas para o canal HORECA (hotéis, restaurantes e cafés), que vale 40% do negócio anual, mas que incluindo a área das bebidas representa 60%, revelou ao Dinheiro Vivo Jorge Henriques, presidente da FIPA, a associação do setor.

“Março é um mês absolutamente negativo nas exportações”, com quebras em muitos mercados, incluindo Espanha, que vale 30% das vendas ao exterior, frisou o responsável. Este decréscimo é uma preocupação para a indústria que fatura no exterior 5 mil milhões de euros. “Com a crise de 207/08, o setor virou-se para a exportação e todos os anos temos vindo a crescer”, recordou.

As remessas para o exterior estão a ser dificultadas quer pela crise pandémica que assola vários países da Europa quer pelas consequentes dificuldades no transporte de mercadorias – constrangimentos nos portos, suspensão de cargas aéreas e dificuldades nas fronteiras -, e na cadeia logística.

Mas não é só nas vendas ao estrangeiro que a indústria está a registar perdas. O encerramento dos hotéis e restaurantes, um mercado de escoamento essencial para o setor agro-alimentar, “tem impactos brutais nas vendas”, frisou Jorge Henriques. O fecho destes negócios obrigou as unidades a reestruturar os planos de produção e adaptar as linhas ao consumo para o lar.

O sector em Portugal fatura anualmente 17 mil milhões de euros e responde por 114 mil empregos diretos e 500 mil indiretos.

Uma indústria estratégica
Segundo Jorge Henriques, a indústria está preparada para assegurar o abastecimento regular ao país sem ruturas. “Independentemente da corrida inusitada aos pontos de venda da semana passada, que obrigou a repor stocks, temos conseguido dar resposta a uma situação desta emergência”, sublinhou. As empresas têm-se aprovisionado de matéria-prima e reforçaram os stocks de produto acabado.

O aumento dos preços das matérias-primas é que já se começa a sentir. A título de exemplo, o preço do trigo panificado de França aumentou 15%, mas a indústria está a absorver os custos, garantiu Jorge Henriques.

Neste momento, a grande preocupação é manter as unidades fabris em funcionamento e os colaboradores tranquilos. Segundo Jorge Henriques, “é preciso abrandar o stress dos trabalhadores”, estando a FIPA a tentar sensibilizar o Governo para que médicos de medicina do trabalho devidamente credenciados possam fazer o despiste do coronavírus. Até ao momento, o setor não registou nenhum caso de infeção pelo coronavírus.

Em simultâneo, pretende que os trabalhadores sejam equiparados a profissionais de saúde e, dessa forma, os filhos poderem ser acolhidos na escola da zona de residência. Medidas que visam evitar a falta de trabalhadores por assistência aos filhos. Na sua opinião, “a indústria agro-alimentar deveria ser considerada uma indústria estratégica”.

Para Jorge Henriques, o Governo tem de dar resposta “rápida” ao problema de tesouraria das empresas, frisando que “não é mais endividamento que vai resolver esta situação”. Como sublinhou, “é preciso injetar liquidez sem créditos, esse erro não pode ser cometido”. O responsável defende também “a supressão do pagamento especial por conta, que não faz sentido num momento de crise”.

O artigo foi publicado originalmente em Dinheiro Vivo.

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