A Região de Leiria registou, em 2025, 162 incêndios rurais, o terceiro melhor ano em número de ocorrências e o quinto valor mais reduzido em área ardida na última década, segundo dados enviados à agência Lusa.
De acordo com o Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, com base no Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais, entre 01 de janeiro e 31 de dezembro de 2025 ocorreram 162 incêndios rurais, tendo ardido 615 hectares entre povoamentos (462), matos (113) e agricultura (40).
A Região de Leiria abrange os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
Entre 2015 e 2025, o ano de 2024 foi o que registou menor número de incêndios rurais na Região de Leiria (132), seguindo-se 2021 (144).
Em área ardida, os melhores anos, isto é, os que tiveram menos área ardida, foram 2021 (35 hectares) e 2018 (47).
Neste período, e em sentido inverso, 2017 foi o pior ano, quer em número de incêndios rurais (460), quer em área ardida (45.117 hectares).
Em junho de 2017, os incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande e alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.
No ano passado, os dois maiores incêndios na Região de Leiria ocorreram em Pedrógão Grande, em 23 de agosto, com um total de 553 hectares de área ardida (praticamente 90% da área total que ardeu em 2025).
À agência Lusa, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil, Carlos Guerra, destacou hoje que 2025 foi “um ano positivo para a região”, realçando a ausência de vítimas entre operacionais e população civil, para sublinhar que “o ataque inicial aos incêndios florestais” foi a “chave do sucesso”.
“Tivemos apenas três incêndios que nos fugiram do ataque inicial, mas isso são contingências, porque acontece. Apesar de todo o esforço que foi feito, não conseguimos controlar nos 90 minutos [iniciais], mas, ainda assim, o ataque musculado que foi feito foi um sucesso”, salientou.
Carlos Guerra adiantou que, para os resultados alcançados no ano transato, o comando implementou um “reforço do ataque inicial”.
“Em todas as situações de alerta amarelo ou vermelho, além da triangulação normal, despachávamos ainda mais uma brigada de reforço para esse teatro de operações”, referiu, reconhecendo, contudo, a necessidade de melhorar alguns aspetos.
Uma das “dificuldades grandes ainda se prende com as comunicações”, sustentou.
“Temos uma rede Siresp [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal] que tem vindo a melhorar muito significativamente, mas que, ainda assim, apresenta algumas deficiências em alguns locais, que estão a ser melhoradas”, declarou.
Outro “problema grave” diz respeito às redes de Internet, notando existir “muitas zonas obscuras” nas quais o comando não pode utilizar muitas das suas aplicações.
“Estamos a fazer um programa juntamente com a CIM [Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria], em que vamos apetrechar todos os municípios através de um contrato que a CIM vai estabelecer com comunicações satélite de Internet”, referiu, acreditando que em 2026 este “problema esteja definitivamente resolvido”.
Carlos Guerra acrescentou que outro problema são os constrangimentos ao nível dos recursos humanos, assumindo-se “muito preocupado”.
“Esse problema é grave, é estrutural, de há muitos anos”, salientou, referindo que os corpos de bombeiros “não conseguem constituir todas as equipas [de intervenção permanente] necessárias”, alertando que a tendência é para piorar.
Quanto à origem dos incêndios rurais em 2025, e aludindo a dados da Guarda Nacional Republicana, o comandante sub-regional da Região de Leiria notou que cerca de 75% tiveram causa humana, nas formas dolosa e negligente.
“A partir de 2017, entrámos numa curva descendente de menos ocorrências, mas essas menos ocorrências continuam a ter uma dose muito significativa da origem humana”, lamentou, preconizando mais sensibilização.















































