Incêndios: Investigador de Coimbra defende incentivos à ocupação do território

Incêndios: Investigador de Coimbra defende incentivos à ocupação do território

O investigador da Universidade de Coimbra (UC) Miguel Almeida defendeu hoje incentivos à ocupação do território com atividades humanas e considerou que a gestão de combustíveis, sendo necessária, não é suficiente para prevenir os incêndios.

Membro da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), ligada à UC, o especialista falava à agência Lusa a propósito da limpeza de terrenos, cujo prazo termina hoje, em vez de 15 de março, após prorrogação do Governo.

“As verdadeiras medidas de proteção passam por políticas de ocupação do território rural que mitiguem esta necessidade da gestão de combustível”, declarou.

Para Miguel Almeida, que trabalha na equipa de Xavier Viegas, a data para os particulares, entidades públicas e privadas fazerem a limpeza da vegetação “deve gozar de grande flexibilidade”.

A gestão dos combustíveis “é um penso rápido” face ao problema dos fogos, abandono e falta de ordenamento, que a floresta portuguesa enfrenta desde o século XX, sendo “necessárias políticas de ocupação” dos territórios.

“Se tivéssemos uma ocupação das zonas rurais, como há décadas, o problema era resolvido”, preconizou o investigador, no dia em que autarquias, empresas, instituições diversas e proprietários deveriam ter limpas as faixas de gestão de combustível.

A Câmara de Miranda do Corvo “tem cerca de 60% das faixas da rede secundária efetuadas”, disse à Lusa o vereador Rui Godinho.

“Contamos terminar tudo até 31 de maio”, incluindo os espaços em que o município, no distrito de Coimbra, terá de se substituir aos incumpridores.

A autarquia, “por causa das condições meteorológicas”, teve “algumas dificuldades” nos trabalhos, adjudicados a empresas através de concurso público.

“Não começámos tão cedo como gostaríamos”, mas também houve contratempos na contratação, admitiu.

Atualmente, realçou Rui Godinho, verifica-se “uma maior preocupação dos proprietários”, havendo casos em que “eles mesmos fazem a limpeza e o abate de árvores” e plantam folhosas junto às estradas, o que contribui para reduzir o risco de incêndio.

Miranda do Corvo e Lousã são dois concelhos ligados à Serra da Lousã, um importante complexo natural e patrimonial onde estão situadas várias povoações da rede turística Aldeias do Xisto, que atrai milhares de visitantes à região.

Ricardo Fernandes, vereador da Câmara da Lousã, disse que dos três lotes a concurso, num deles, que engloba as zonas industriais, o trabalho “está quase a terminar”.

“Houve dificuldades com os prestadores de serviço”, afirmou à Lusa, para explicar que a remoção do material combustível em redor das aldeias serranas, essa, “já está feita”.

Os atrasos nos dois lotes que abrangem a rede viária, na Serra da Lousã e no vale, devem-se a problemas com as empresas que venceram os concursos e “não realizaram os trabalhos”.

“Já vamos na terceira empresa”, a qual na sexta-feira não tinha ainda entregue o “documento de habilitação” que permite redigir o contrato público.

Os procedimentos foram “iniciados no final de fevereiro”, mas “quem ganha os concursos por vezes faz isto” à Câmara, lamentou.

Em Miranda do Corvo, “também aconteceu o mesmo no início com dois lotes”, confirmou, por sua vez, Rui Godinho.

Os Sapadores Florestais dos Baldios da Lousã, com seis trabalhadores, têm-se dedicado à limpeza das faixas dos parques eólicos, na Serra da Lousã, mas também em redor da fábrica do Penedo.

“Temos pouco gente”, referiu à Lusa Manuel Parola, presidente do conselho diretivo dos Baldios locais.

Aquela unidade papeleira, uma das mais antigas da Península Ibérica, em laboração há cerca de 300 anos, “já tem tudo limpo”, indicou, explicando que a empresa possui uma importante mancha florestal na encosta sobranceira à ribeira de São João.

Os donos de pequenas parcelas “começaram a comprar os seus equipamentos”, o que tem levado os Baldios da Lousã a apostar em trabalhos de maior dimensão, como em redor do aeródromo da Chã do Freixo, numa área que ronda os 30 hectares, acrescentou.

No entanto, idosos e emigrantes recorrem ao serviço dessa brigada de Sapadores, que também está a plantar 6.000 árvores autóctones em antigos pinhais dizimados pelo nemátodo.

Com a proliferação de vegetação fina, após as últimas chuvas, “quem limpou vai ter de limpar outra vez”, previu Manuel Parola.

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