Identificado surto de brucelose na China

Identificado surto de brucelose na China

Foi identificado em Lanzhou, na China, um surto de brucelose que afetou mais de três mil pessoas. De acordo com a explicação oficial, o surto teve origem numa fábrica de produção de vacinas veterinárias, onde um desinfetante fora de prazo provocou a contaminação de um exaustor no ano passado.

As autoridades sanitárias chinesas realizaram testes serológicos em mais de 21 mil pessoas e detetaram 3 245 positivos.

Segundo um artigo da publicação Animal’s Health, a 28 de novembro do ano passado foram detetados anticorpos para a brucelose em cientistas do Instituto de Investigação Veterinária de Lanzhou, que trabalhavam numa fábrica onde eram produzidas vacinas contra a bactéria.

À data, tinha sido anunciada uma investigação para descobrir como os cientistas haviam sido infetados com este agente patogénico. Os resultados foram revelados em 14 de setembro pela Comissão de Saúde da Cidade de Lanzhou, incluindo os testes realizados a 21 847 pessoas, dos quais 4 646 deram positivo. O Centro Provincial de Controlo de Doenças voltou a ser testado, sendo então confirmadas 3 245 pessoas com anticorpos para a brucelose.

De acordo com as autoridades, a explicação para a origem deste surto remonta a 26 de dezembro de 2019, quando uma equipa de investigação confirmou que, de 24 de julho a 20 de agosto de 2019, a fábrica biofarmacêutica de Lanzhou utilizou uma estirpe atenuada de brucelose para a produção de uma vacina veterinária.

Como os materiais utilizados para inativar as bactérias não estavam em boas condições, deu-se uma esterilização incompleta dos gases residuais dos tanques de fermentação utilizados durante a produção, bem como do fluido de fermentação, que tinha bactérias.

Estas bactérias, em forma de aerossol, espalharam-se com o vento. Durante este período, as pessoas que inalaram os aerossóis geraram anticorpos. A Comissão de Saúde do país reiterou que o evento foi um acidente e que a exposição foi “de curta duração”.

As autoridades esclareceram que as pessoas afetadas não têm brucelose, tendo apenas desenvolvido anticorpos. Esclarecem também que o patógeno que escapou do laboratório era uma estirpe atenuada de uma vacina e, além disso, as doses de exposição foram baixas, pelo que as pessoas não devem ter sintomas.

Ainda, de acordo com os resultados da investigação, “as unidades e o pessoal relevantes foram rigorosa e rapidamente responsabilizados em conformidade com a lei”.

Foi também revogada a licença para a produção da vacina contra a brucelose e foi encerrada a linha de produção de vacinas contendo estirpes de Brucella.

Entretanto, foi criado um grupo de trabalho para tratar das consequências do incidente. O plano inclui novos testes e monitorização sanitária de pessoas que já testaram positivos, bem como compensação para as pessoas afetadas, que será tratada pela Unidade Biofarmacêutica e está planeada para outubro.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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