Holigen: “Portugal pode ser um líder mundial da canábis medicinal desde a produção ao produto final”

Holigen: “Portugal pode ser um líder mundial da canábis medicinal desde a produção ao produto final”

[Fonte: Jornal Económico] Em declarações ao Jornal Económico, o CEO da empresa, Pauric Duffy acredita que “em 2028, está previsto que a Europa lidere [o mercado] a nível mundial valendo por si só 58 mil milhões de euros, com Portugal a representar 500 milhões de euros”.

A Holigen vai investir 45 milhões de euros em Portugal para a produção de canábis medicinal e gerar 200 postos de trabalho nos próximos quatro anos.

Depois da abertura das instalações na Austrália, a primeira infraestrutura da empresa em Portugal está já em construção em Sintra, com 21.500 mil metros quadrados para o cultivo, processamento, produção.

Em declarações ao Jornal Económico (JE), o CEO do grupo farmacêutico, Pauric Duffy afirma que “Portugal apresenta as melhores condições para o mercado atual, com recursos humanos altamente qualificados, clima ideal e autoridades eficientes e progressistas”.

A escolha do solo português como segunda a aposta não foi fácil para o grupo, depois de ter viajado por todo o mundo em busca da melhor opção, “viajámos por todo o mundo e decidimos que a Austrália e Portugal eram os melhores países a investir para alcançar uma posição líder mundial no mercado da canábis medicinal”, revela o dirigente.

Para além do clima privilegiado e do solo fértil, Duffy sublinha que “Portugal pode ser um líder mundial desde a produção ao produto final”, acrescentando que esse é o principal motivo para o investido em recursos humanos, infraestruturas e possíveis acordos de cooperação com entidades como a Fundação Champalimaud.

RPK Biopharma 

Este ano, a Holigen também iniciará as obras de uma das maiores instalações de cultivo de canábis ao ar livre do mundo, em Aljustrel. Esta terá uma área combinada de produção, transformação e I&D de mais de 7 mil metros quadrados.

A RPK Biopharma, é empresa ‘filha’ da Holigen, e será a empresa operacional em Portugal, detentora de uma das primeiras licenças de cultivo, processamento, produção de acordo com as Boas Práticas de Fabricação e I&D em solo português. “Essas licenças incorporam um cultivo indoor e outdoor, incluindo uma das maiores instalações de cultivo de canábis ao ar livre do mundo desenvolvido (65 hectares, Aljustrel, Portugal)”, explica o CEO. “O nosso objetivo é produzir ingredientes e produtos ativos de canábis de grau farmacêutico e sermos uma referência mundial com a RPK Biopharma e a TCann como centros estratégicos.”

Processo de licenciamento

No que toca ao processo de licenciamento para a produção, o CEO da empresa de canábis medicinal aplaude a rápida adaptação dos governos nacionais, locais e da Infarmed face à legalização da planta aprovada, no ano passado apesar da aprovação demorar “mais algum tempo até chegarmos à última fase”. Ao JE, o dirigente da farmacêutica admite que “em vários aspetos, Portugal está mais preparado do que a Austrália no que concerne a processos de licenciamento”.

“Não nos podemos esquecer que estamos a falar de canábis medicinal onde o Infarmed e as empresas licenciadas não podem correr riscos porque estamos a falar da saúde das pessoas”, alerta Duffy. “É a razão pela qual apontámos para a produção de canábis medicinal de grau farmacêutico”.

O CEO explica que a aposta na canábis medicinal vem depois de pesquisas económicas aprofundadas que permitiram dar à empresa a visão do potencial crescimento a longo prazo. “Não se trata de um mercado para aventureiros e curiosos porque requer, desde logo, bastante tempo, dinheiro, resiliência e uma equipa bem preparada para cumprir os requisitos necessariamente exigentes”, afirma Pauric Duffy. “Repare, em 2028, está previsto que a Europa lidere [o mercado] a nível mundial valendo por si só 58 mil milhões de euros, com Portugal a representar 500 milhões de euros”.

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