Grow to Green. A empresa portuguesa que quer tornar a comida mais limpa

Grow to Green. A empresa portuguesa que quer tornar a comida mais limpa

Há uma empresa portuguesa que está a produzir vegetais dentro de câmaras verticais para garantir que os alimentos não sofrem qualquer contaminação química, não estão sujeitos às condições climáticas e são mais limpos que os cultivados de forma tradicional.

A Grow to Green (G2G) fabrica câmaras de crescimento para a produção agrícola em ambiente fechado que permitem controlar com precisão as variáveis de que depende o crescimento de uma planta — temperatura, humidade, vento, iluminação e nutrição. Daqui vão resultar vegetais com menos 99,4% de bactérias e sem qualquer percentagem de contaminação biológica, pesticidas e outros químicos, garante a empresa.

Imagine que quer plantar uma alface. Primeiro tem de recolher uma semente de alface e colocá-la num meio de crescimento com minerais e nutrientes suficientes para alimentar a planta. Depois, a semente é colocada numa das nove prateleiras que existem dentro dessas câmaras de crescimento e submetida aos elementos de que depende para crescer. Como está em ambiente fechado, longe da possibilidade de ser fustigada pela poluição ou pelo mau tempo, ela não vai precisar de químicos para sobreviver a esses ataques. Além disso, dentro da câmara, as condições de luminosidade, de vento, de temperatura e humidade vão ser todas equilibradas de modo a garantir o crescimento saudável da alface.

Para o consumidor isso traz uma vantagem imediata: estudos da Grow to Green, que pertence ao grupo ISQ, sugerem que as alfaces nascidas através deste método podem ter um prazo de validade maior do que uma alface criada de forma tradicional e do que uma alface embalada, como as vendidas nos supermercado.

Em conversa com o Observador, os responsáveis pelo projeto explicam que isso acontece por causa do tratamento que a alface sofre depois de colhida. No caso das alfaces embaladas, depois de serem tiradas da terra, elas passam por um banho de água com (uma quantidade inofensiva para a saúde de) lixívia para as livrar de impurezas. Depois, são secas através de centrifugação.

Esses movimentos enfraquecem as células que constituem as folhas das alfaces, fazendo com que o vegetal se deteriore mais depressa. Mas como as alfaces criadas através destas câmaras são mais limpas, elas não precisam de passar por processos como esses e, portanto, duram mais tempo.

Mas há outras vantagens. Este método de produção permite ter várias colheitas ao longo do ano —  a Grow to Green contabiliza mais de doze anualmente — de alimentos que, no passado, por não serem da época, não podiam chegar à mesa do consumidor. A agricultura já não tem de depender da estação do ano porque o clima que dá acesso aos vegetais de época podem ser mimetizados dentro da câmara.

A produção de alfaces no interior das câmaras. Créditos: Grow to Green

A Organização das Nações Unidas estima que a população mundial irá aumentar em 2,5 mil milhões (chegando aos 9,5 mil milhões de pessoas) até 2050. Para que todas essas pessoas tenham acesso a comida de qualidade é preciso aumentar a produção de calorias em 69%.

E há mais dois aspetos que dão importância a projetos como este. Um é o que crescente cuidado com a saúde: a Grow to Green diz que métodos como estes permitem às pessoas controlarem melhor o que comem e como essa comida foi produzida, mesmo que isso signifique pagar um pouco mais por um produto.

Outro é a preocupação ambiental: neste momento, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, mais de 4.900 milhões de hectares de terra no planeta são usados para agricultura. Mas muitos deles resultaram da fustigação de grandes espaços florestais, como a Floresta Amazónica, e consomem demasiada água.

Neste momento, os produtos da Grow to Green — como alfaces, rúculas e ervas aromáticas — já estão à venda, disponíveis para o público. Desde abril deste ano que a Grow to Green que está à venda, na Manteigaria Silva, uma salada portuguesa pronta a comer constituída por um trio de alfaces lisas e frisadas, presunto pata negra obtido a partir de pernil de porco ibérico sujeito a cura natural e envelhecimento em cave durante 24 meses; e queijo da ilha de São Jorge com cura de quatro meses. De acordo com a Grow to Green, essa salada tem 250 calorias e está disponíveis nas lojas na Baixa de Lisboa e no Mercado da Ribeira.

Além disso, durante este verão, a Grow to Green também colocou oito produtos à venda num supermercado Intermarché em Lagos. Esses produtos podem ser encontrados num expositor com o símbolo da empresa. E fazem desta cadeia de supermercados a primeira a comercializar este tipo de vegetais em toda a Península Ibérica.

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O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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