Greve de fome em frente ao ministério da agricultura

Greve de fome em frente ao ministério da agricultura

Como temos referido nos últimos meses e foi noticiado pela SIC, RTP e Correio da Manhã, as estufas da nossa exploração de amoras em Idanha-a-Nova foram quase totalmente destruídas por sucessivas tempestades. Desde Abril que temos estado em contacto com a Secretaria de Estado da Agricultura e que nos foi assegurado que, apresentando nós relatórios meteorológicos que atestassem a particular violência da destruição nos seria permitido candidatar aos fundos europeus disponibilizados para a recuperação das estufas destruídas pelo mau tempo no Algarve e no Minho. Nesse sentido, e com esta garantia, preparámos o melhor que nos foi possível a campanha deste ano fundamental para a sobrevivência da exploração.

O processo arrastou-se 4 meses durante os quais apresentámos 4 relatórios meteorológicos enquanto íamos alertando que a demora incompreensível no processo (para todos os outros agricultores demorou apenas 10 dias), estava a colocar em causa a campanha deste ano e iria causar a perda de centenas de milhares de euros: sem estufas para proteger as amoras é quase impossível que a fruta não se estrague.

Até que há duas semanas soubemos através da resposta escrita da secretaria de estado à RTP que, a questão dos relatórios meteorológicos afinal nunca existiu e nós nunca fomos alegadamente elegíveis para os fundos europeus. Para o justificarem citaram o despacho que regulamenta os apoios europeus tendo o texto deste sido falsificado de forma a que fosse necessário que 30% do concelho tivesse sido devastado para nos podermos candidatar: o texto real do despacho nem sequer tem a palavra concelho! Diz sim que é necessário 30% da exploração ser destruída.

O absurdo do texto que a secretaria de estado da agricultura enviou à RTP é tal que nem conseguimos entender como é que puderam sequer pensar numa coisa assim: o Algarve, onde apoiaram em Março a reconstrução das estufas, foi 30% destruído? Ou o único agricultor com 1ha em Esposende que apoiaram representa 30% do concelho? O Estado Português agora é assim, quando a lei não nos dá razão, muda-se uma coisa aqui ou ali e espera-se que ninguém note?

Se houvesse alguma razão real para nos negarem o acesso aos fundos europeus para a reconstrução não teriam tido de recorrer a um texto falsificado.

Cremos que foram cometidos erros no nosso processo e a Secretaria de Estado simplesmente falhou os prazos para pedir à EU os fundos necessários, depois não quis assumir o erro e muito menos estar a pagá-lo. Pelo menos é uma explicação para aquilo que não tem justificação.

Porque doutra forma, porquê destruir a nossa exploração onde investimos meio milhão de euros, a campanha deste ano avaliada noutro meio milhão, atirar 8 pessoas para o desemprego numa região onde não há empregos? E pior ainda, incentivar-nos a preparar a campanha deste ano gastando nisso os últimos fundos que nos restavam quando afinal nunca tiveram intenção de apoiar a reconstrução? Como é que se justifica isto?

Em poucas semanas vamos começar a mandar toneladas de amoras para o lixo porque não pudemos proteger a colheita e isso não é responsabilidade do tornado, é responsabilidade da secretaria de estado da agricultura. É como estar a deitar dinheiro pela pia abaixo, dinheiro nosso, dinheiro dos nossos funcionário e dos contribuintes também já que são impostos que se perdem.

Estamos cansados e fartos, não merecemos ser tratados assim, na Idanha não somos menos que no Algarve ou no Minho para nos excluírem dos apoios ainda mais sob falsos pretextos. Assim, a partir deste momento estou do ministério da agricultura em greve de fome e aqui vou ficar até que decidam reparar integralmente os prejuízos que causaram.

Luís Dias

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