Governo diz que nível das barragens no Mondego abaixo do normal “é intencional”

Governo diz que nível das barragens no Mondego abaixo do normal “é intencional”

O Ministério do Ambiente esclareceu hoje ser “intencional” o facto de duas barragens no Mondego terem níveis de água abaixo do normal para a época, sublinhando tratar-se de uma medida de segurança após as cheias de dezembro.

Em comunicado, a tutela do Ambiente lembra que as cheias que atingiram o Baixo Mondego entre 19 a 22 de dezembro de 2019, “apesar da recuperação dos diques que ruíram, deixaram mais frágil o Sistema Hidráulico do Baixo Mondego”.

“Assim, é necessário garantir que o caudal de 700 m3/s [metros cúbicos por segundo] não é ultrapassado na Ponte do Açude em Coimbra”, adianta a nota.

Acrescenta que como as afluências do rio Ceira [afluente do Mondego a montante de Coimbra] “não são controláveis, a única forma de garantir que no caso de chuva intensa se consegue evitar a ocorrência de cheias é preservando a capacidade de encaixe nas albufeiras de Fronhas e Aguieira”, razão “intencional” para os níveis de água destas duas barragens estarem abaixo do normal para a época e “a melhor medida de gestão para a segurança de pessoas e bens no Baixo Mondego”.

O presidente da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP) avisou hoje que, se não chover, vai faltar água no Mondego no verão para a agricultura, abastecimento público e indústria, já que as reservas existentes não são suficientes.

“Neste momento, depois de ter havido a cheia que houve [em finais de 2019], já não há água suficiente na barragem [da Aguieira] para assegurar o abastecimento aos três setores de atividade que recebem água durante o próximo verão. Se não vier mais chuva, a água que está nas barragens não é suficiente”, disse hoje aos jornalistas, em Montemor-o-Velho, Eduardo Oliveira e Sousa.

“Não se percebe como é que foi possível, depois da barragem ter estado completamente cheia, ter inclusivamente descarregado, ter havido uma cheia como a que houve e agora, ao fim do mês, já não há água suficiente para assegurar as três atividades. Há aqui uma desarticulação que nos tempos que correm não é admissível”, observou o responsável da CAP.

No comunicado em que explica as razões do baixo nível de água da barragem da Aguieira, o Ministério do Ambiente estranha as declarações de Eduardo de Oliveira e Sousa.

A tutela acrescenta que só com a conclusão das obras definitivas no Baixo Mondego, divulgada quinta-feira, através de uma resolução do Conselho de Ministros que cria um plano de ação intitulado “Mondego Mais Seguro” que inclui cerca de 30 milhões de euros de investimentos, “se poderão atingir as cotas normais nas referidas albufeiras”.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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