Fio agrícola provoca mutilação de dezenas de animais – Quercus Castelo Branco

Fio agrícola provoca mutilação de dezenas de animais – Quercus Castelo Branco

O fio agrícola é responsável pela entrada de dezenas de animais feridos ou mutilados no Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS), denunciou hoje a associação ambientalista Quercus.

Em comunicado enviado à agência Lusa, os ambientalistas referem que estão a promover a iniciativa 20-20-20, que inclui um conjunto de denúncias associadas às 20 principais causas de ameaça à biodiversidade e que são responsáveis pela entrada anual de cerca de 300 animais nas suas instalações.

O fio agrícola, mais conhecido como fio de enfardar, feito de plástico (polipropileno) e usado, essencialmente, nas enfardadeiras mecânicas, é apontado pelos ambientalistas como um dos responsáveis pela mutilação e ferimento de dezenas de animais assistidos no CERAS.

“Estes fios vieram substituir o arame metálico usado na agricultura pelas enfardadeiras para atar fardos de palha.

Após o consumo da palha dos fardos pelo gado, muitas vezes, estes fios de plástico ficam abandonados nos campos e transformam-se numa armadilha letal para muitas espécies selvagens”, sustenta a Quercus.

Muitas aves “ficam presas nestes fios e, por vezes, também os transportam para os seus ninhos, acabando as crias por morrer pela ingestão de plástico, pela mutilação de alguma pata ou asa o mesmo pelo estrangulamento causada pelo enrolamento destes fios ao bico, pescoço ou mesmo ao corpo”, acrescenta a associação ambientalista.

Segundo a Quercus, no CERAS “já deram entrada um grupo significativo de espécies afetadas por esta ameaça”, nomeadamente, cegonhas brancas (Ciconia ciconia), garças reais (Ardea Cinerea), garças boieiras (Bulbucus íbis), milhafres pretos (Milvus migrans) e espécies que estão em perigo de extinção como a cegonha preta (Ciconia nigra).

“A Quercus tem trabalhado com a população em geral, grupos escolares e autoridades, no sentido de tentar acabar com esta prática, para que se substitua este material por outro biodegradável e que se sancione o seu abandono nos campos”, lê-se na nota.

No caso de encontrar estes fios no campo, os ambientalistas apelam à população que os recolha e coloque num ecoponto para reciclagem.

Aos agricultores a Quercus pede para evitarem o seu abandono nos campos e para optarem por usar fios biodegradáveis como o sisal.

O CERAS é um projeto do núcleo regional de Castelo Branco da Quercus, com o apoio da Escola Superior Agrária de Castelo Branco (ESA), do Fundo Ambiental e de outros mecenas.

O Centro tem como principal objetivo recuperar animais selvagens debilitados e devolvê-los ao meio natural, sendo que, anualmente, passam por ele 300 animais, em média.

Associação transmontana quer substituir fio agrícola de plástico pelo de sisal

Comente este artigo
Anterior PDR2020: Instrumentos Financeiros com novas regras
Próximo Realização e frequência de ações de formação durante o Estado de emergência

Artigos relacionados

Últimas

«O Smart Farm Colab quer ser um aliado na transição digital do sector agrícola»

Cátia Pinto, secretária executiva da Associação SFCOLAB, diz nesta entrevista que Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer na agricultura digital. É para servir esse propósito que foi […]

Últimas

Live: Como posso contribuir para a biodiversidade na minha propriedade?

Medidas de promoção e salvaguarda da biodiversidade numa exploração pecuária extensiva no Parque Natural do Vale do Guadiana por João Madeira, Sociedade Agrícola Vargas Madeira, Lda. […]

Últimas

Apdea debate agricultura e os desafios societais para o período 20-30

A Apdea — Associação Portuguesa de Economia Agrária, em parceria com o GPP — Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral e o INIAV — […]