Fencaça receia poder do PAN no PS. Pode nascer novo partido de defesa do mundo rural pela caça

A Fencaça – Federação Portuguesa de Caça tem medo da propostas do PAN, Pessoas – Animais – Natureza, liderado por André Silva. O desafio partiu de Miguel Sousa Tavares.

“Irá o Partido Socialista fazer um entendimento com o PAN? Bem se isso acontecer só nos resta prepararmo-nos para criar uma plataforma ou um partido, que junte todos os agentes ligados ao mundo rural e às tradições, para nos confrontarmos no Parlamento com as mesmas armas”.

Em declarações ao agriculturaemar.com, o presidente da Fencaça, Jacinto Amaro, explica que “nossa função, como Federação,  nunca foi essa. Nem nunca nos tinha passado pela cabeça criar um partido. Sempre defendi que o que é da política deve ficar na política e o que é da caça, na caça. Mas tudo mudou”.

Tiro ao voo em perigo

Jacinto Amaro relembra que o PAN, em Novembro de 2018, “quis acabar com o tiro ao voo. Na verdade eles querem acabar com a caça aos poucos. Mas a proposta não passou. Acabei a falar com um deputado do Partido Comunista, eleito por Beja e a proposta saiu do Orçamento do Estado”.

Relembre-se que na proposta de Orçamento do Estado para 2019, o Governo socialista tinha incluído uma proposta do PAN com o propósito de acabar com os apoios financeiros que têm sido atribuídos ao tiro de voo, ou vulgarmente conhecido como tiro ao pombo. A prática recreativa (não cinegética) em que aves criadas em cativeiro são libertadas apenas com o propósito de servirem de alvo é apoiada até agora.

“Se o Partido Socialista, sem precisar do PAN, fez isto se ficar refém do PAN o que acontecerá?”, realça Jacinto Amaro, acrescentando que se o “PS não tiver maioria absoluta e recorra ao PAN por 2 ou 3 deputados, vai ser um atentado ao mundo rural e às tradições, incluindo as de lazer. Repare que nas maiores festas do mundo rural há sempre uma corrida de touros, no Inverno são feitas montarias, e é com isso que André Silva quer acabar”.

Desafio de Miguel Sousa Tavares

Mas a Fencaça avança mesmo com um partido? “Avançamos, não tenho dúvidas. Estamos preparados. Há bastante tempo já tinha sido desafiado pelo Miguel Sousa Tavares. Facilmente, como apoio das pessoas ligadas à festa, aos toiros e à caça, podemos ter 7 ou 8 deputados. O partido pode fazer falta para estarmos em igualdade de combate”, garante Jacinto Amaro.

Mas tudo vai depender dos resultado das eleições legislativas de 6 de Outubro. “Se quiséssemos ser políticos tínhamos ido para a política; há la muita gente com experiência, que quer estar na caça por causa dos partidos. A caça não pode ser um trampolim para a política”, diz ainda o presidente da Fencaça.

“Temos de nos juntar pela causa do mundo rural. Ou deixamos-nos comer ou temos de responder na mesma moeda. Enquanto nos revirmos nos partidos tradicionais, tudo bem. Mas, não é o Aliança ou o PPM que vão conseguir resolver o problema. Se não fosse o PCP já tínhamos perdido o tiro ao voo”, acrescenta aquele responsável.

Jacinto Amaro vai esperar pelo resultados das eleições. Depois, se o PS ficar refém do PAN, vai lançar mãos à obra. “Não serei eu de certeza olíder do novo partido,mas darei o meu contributo com toda a certeza”.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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