FENCAÇA favorável aos painéis solares mas discorda de abate de árvores na Torre Bela

FENCAÇA favorável aos painéis solares mas discorda de abate de árvores na Torre Bela

O presidente da Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA), Jacinto Amaro, disse hoje ser favorável à colocação de painéis solares, mas discorda do abate de sobreiros, eucaliptos e árvores centenárias na Herdade da Torre Bela, em Azambuja, distrito de Lisboa.

Jacinto Amaro, que falava à agência Lusa a propósito da aprovação pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) do projeto para construir a futura central fotovoltaica na Herdade da Torre Bela, onde em dezembro aconteceu uma montaria em que morreram centenas de animais, disse também que há muitos terrenos no país que podiam ter sido escolhidos para parques de painéis solares.

Segundo a rádio TSF, a consulta pública do estudo de impacto ambiental tinha sido suspensa em dezembro durante cerca de um mês pelo Ministério do Ambiente, na sequência da caçada realizada em dezembro na Herdade da Torre Bela, em Azambuja, para perceber se o estudo devia ser reformulado. Os esclarecimentos foram entregues e o processo foi retomado em fevereiro.

“Eu sou favorável às energias limpas. Não concordo é que tenham de arrancar sobreiros, eucaliptos e árvores centenárias como havia lá para colocar parques de painéis solares”, sublinhou.

Em 21 de dezembro do ano passado, o Instituto da Conservação da Natureza (ICNF) abriu um processo para averiguar junto da Zona de Caça Turística de Torre Bela “os factos ocorridos e eventuais ilícitos” relacionados com o abate de 540 animais numa montaria na Azambuja.

Também em dezembro, o ICNF suspendeu a licença da Zona de Caça de Torre Bela com efeitos imediatos, apresentando ao Ministério Público uma participação de crime contra a preservação da fauna.

Na altura a FENCAÇA repudiou o abate de animais na Herdade Torre Bela, adiantando que a caçada terá ocorrido para poder ser construída uma central fotovoltaica no local.

De acordo com a FENCAÇA, existia um projeto de uma “mega central fotovoltaica” com mais de 750 hectares que se encontrava em processo de consulta pública.

Em declarações hoje à Lusa, o presidente da FENCAÇA diz que não é contra os painéis solares, mas sim contra o abate de árvores.

“O meu interesse pelas energias limpas é total. Eu entendo que com a disponibilidade de solo que nós temos, podemos e devemos ter mais energias limpas e menos energias fósseis. Esta mudança deve ser feita, mas o que sempre dissemos na altura era [que foi feita a montaria] que o objetivo do proprietário era mudar o sentido da Herdade”, disse.

Segundo Jacinto Amaro, a Herdade não podia ter as duas coisas: um parque de painéis solares e uma densa população de javalis, gamos e veados.

“Dissemos isso na altura e agora essa mudança veio a verificar-se. O Governo e a Câmara Municipal [da Azambuja] tentaram esconder o que estava por trás. Era impossível ter aquela densidade de população de gamos, veados e javalis e ao mesmo tempo instalar um parque com cerca de 700 hectares de painéis solares”, destacou.

Para Jacinto Amaro, há muitas zonas do país como o Alentejo, Ribatejo ou a Beira Interior em que a exposição do dia ao sol é tremenda e que seria rentável colocar painéis solares.

“Seria mais rentável do que arrancar floresta para colocar parques. Isso não entendo, nem faz sentido”, disse.

O presidente da FENCAÇA disse ainda que o estudo de impacte ambiental nunca esteve suspenso.

“O Ministério do Ambiente tentou ludibriar dizendo que o estudo de impacte ambiental tinha sido suspenso e nós sabemos de fonte limpa que ele nunca esteve suspenso, nunca esteve parado. O processo continuou, pois, havia compromissos do Governo e da Câmara para com as empresas que iam instalar os painéis solares. Estamos a falar de investimentos de dezenas de milhares de euros”, contou.

No que diz respeito à montaria, Jacinto Amaro disse que na altura falou-se em 540 animais mortos, mas isso não será verdade.

“Nunca se saberá ao certo, mas os únicos dados que há é que serão 200 animais e não 540”, disse.

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