Eugénio de Almeida. “Produzir amêndoa antes do Alqueva era impensável”

Eugénio de Almeida. “Produzir amêndoa antes do Alqueva era impensável”

[Fonte: Dinheiro Vivo - empresas]

Além dos 120 mil hectares onde o Alqueva já chega, está previsto o aumento da área regada em 50 mil hectares até 2022. A Fundação Eugénio de Almeida (EA), histórica produtora de vinho regional alentejano, foi uma das empresas que apanhou a onda do maior lago artificial da Europa. No ano passado, começou a produzir amêndoa.

“Antes do Alqueva seria impensável. Plantámos 140 hectares e é uma cultura muito promissora no que toca ao contributo que pode dar à Fundação”, afirma Pedro Batista, enólogo da EA. Para já, a empresa, conhecida pela produção dos vinhos Cartuxa, Pêra Manca e EA, vende a amêndoa aos grandes operadores do mercado ibérico. “Mas não colocamos de parte vir a comercializar com a nossa marca”, revela o enólogo.

Nos últimos dez anos, os investimentos da Fundação no Alentejo ascenderam a 50 milhões de euros. O maior investimento, de 20 milhões, foi aplicado em duas adegas em Évora. Afinal, o vinho, cuja produção também aumentou graças à barragem, representa 90% das exportações da EA. Os restantes 10% são referentes a vendas de azeite, que ao contrário do que acontece hoje um pouco por todo o Alentejo, não é produzido de forma super-intensiva, apesar de Pedro Batista garantir que não tem “nada contra” o olival da polémica.

“Não adotamos porque só trabalhamos com variedades tradicionais portuguesas, algo que o olival super-intensivo não permite. Mas é uma opção interessante, que tem a vantagem de não estar dependente de mão-de-obra, tão difícil de arranjar”. Em fase de estágio está a internacionalização do vinho da Fundação para a China.

A Fundação exporta sobretudo para o Brasil, EUA e Angola. Mas tem no gigante asiático uma prioridade para os próximos anos. Mas há um problema por resolver. “O vinho que gostávamos de vender na China não é o que eles querem comprar. Querem Cartuxa e Pêra Manca, mas não temos capacidade de produção. Teríamos de abdicar de mercados estratégicos como o Brasil, o que é impensável”, explica João Teixeira, diretor comercial da Fundação EA.

A última colheita de Pêra Manca, o vinho que segundo a lenda selou o encontro entre Pedro Álvares Cabral e os indígenas no Brasil, em 1500, é de 2014. A colheita deste ano “parece ter potencial”, mas é cedo para ter certezas. Para as restantes colheitas as expetativas da EA são altas. Mesmo sem negócios da China.

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