Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) demonstrou que a certificação florestal pode contribuir para a conservação da biodiversidade ao promover habitats mais diversificados e condições mais favoráveis à fauna, informou hoje fonte da academia.
Segundo uma nota da UA, o trabalho analisou, à escala mundial, a investigação existente sobre o impacto da certificação florestal na conservação de animais e incluiu também um caso de estudo realizado em florestas certificadas, ou em processo de certificação, em Portugal.
Realizado por investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA, o estudo, concluído no final de 2025 e cuja recolha de informação decorreu entre 2012 e 2021, procurou perceber se a certificação, enquanto instrumento de promoção da gestão sustentável das florestas, pode beneficiar a fauna através da melhoria da qualidade dos habitats.
Para isso, os investigadores analisaram dados sobre a presença de anfíbios, répteis, aves e mamíferos, bem como informação sobre a flora existente nas áreas estudadas.
“Os resultados apontam para uma relação positiva entre a diversidade da fauna e algumas características ambientais das florestas. Maior diversidade de árvores, arbustos e espécies herbáceas, bem como a presença de água, podem proporcionar recursos importantes para diferentes espécies e contribuir para habitats mais favoráveis à vida selvagem”, refere a mesma nota.
Entre as práticas de gestão promovidas pelos sistemas de certificação florestal estão a manutenção de madeira morta, a diversidade de espécies florestais, a realização de fogo controlado, a proteção das zonas ripícolas e a conservação de florestas maduras, nativas e de elevado valor de conservação.
Os investigadores advertem, contudo, para a existência de algumas lacunas na literacia científica sobre esta matéria, alegando que a investigação disponível é sobretudo de origem europeia e dedica mais atenção às aves e aos mamíferos. Assinalam ainda que os efeitos das práticas de gestão também não são iguais para todas as espécies ou regiões.
“Fatores como a exploração florestal e a fragmentação dos habitats podem continuar a limitar os benefícios da certificação, sobretudo no caso de espécies com necessidades ecológicas mais específicas”, alertam os investigadores, que defendem que as medidas de conservação devem ser adaptadas às características de cada espécie e de cada território.
O estudo, publicado na revista Trees, Forests and People em setembro, sublinha ainda que a certificação florestal não deve ser encarada como uma solução isolada para as ameaças que afetam as florestas e a fauna, adiantando que a sua articulação com outras estratégias e políticas de conservação, como a Rede Natura 2000 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, poderá contribuir para alcançar melhores resultados ambientais, sociais e económicos.
Além dos benefícios ecológicos, o estudo conclui que a certificação pode também gerar vantagens económicas para os proprietários florestais, embora os custos e os retornos associados variem entre países e regiões.
Os autores defendem, por isso, a necessidade de mais investigação de longo prazo e de programas de monitorização que permitam avaliar os efeitos da certificação sobre diferentes espécies e ecossistemas.















































