Estudo liderado pela UA destaca eficácia de tapetes vegetais contra erosão pós-fogo

Estudo liderado pela UA destaca eficácia de tapetes vegetais contra erosão pós-fogo

Um estudo internacional de revisão publicado em junho no periódico científico de elevado impacto ‘Earth-Science Reviews’, impulsionado por investigadores da Universidade de Aveiro (UA), quantifica a eficácia das várias medidas de combate à erosão do solo pós-fogo que têm sido avaliadas cientificamente pelo mundo fora. O coordenador do projeto EPyRIS na UA, Jan Keizer, destaca o pioneirismo deste estudo comparativo.

Jan Keizer, investigador do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), laboratório associado da UA, salienta ainda a relevância da colaboração internacional na execução do estudo agora publicado.

“Apesar de a medida de mitigação de erosão pós-fogo mais frequentemente usada em Portugal ser a da colocação de barreiras de material lenhoso nas encostas, a medida que se mostrou mais eficaz é a da aplicação de tapetes resíduos vegetais como palha ou resíduos de corte florestais (“mulching”), (re)criando-se assim uma manta morta”, afirma Jan Keizer.

A conclusão consta do artigo “Effectiveness of post-fire soil erosion mitigation treatments: A systematic review and meta-analysis”, publicado no periódico científico ‘Earth-Science reviews’. O artigo é assinado por Antonio Girona-García, Diana C.S. Vieira, Joana Silva, Cristina Fernández, Peter R. Robichaud, J. Jacob Keizer, equipa internacional com investigadores da Galiza (Centro de Investigacion Forestal-Lourizan, Xunta de Galicia) e Estados Unidos (U.S. Department of Agriculture, Forest Service, Rocky Mountain Research Station), para além de Portugal (CESAM/UA). A ideia original para este artigo surgiu na UA e a sua execução envolveu uma colaboração estreita entre os projetos EPyRIS e FEMME, este último coordenado por Diana Vieira e, atualmente, por Antonio Girona-García. O estudo foi realizado com base em “meta-análise”, técnica estatística desenvolvida para combinar dados de vários estudos sobre um mesmo tópico.

Sabendo-se que ainda há poucos estudos a nível global que avaliaram medidas de mitigação de erosão em áreas ardidas, afirma ainda o investigador do CESAM, houve a preocupação de incluir na ‘meta analise’ todos estudos publicados em revistas científicas internacionais. A larga maioria destes estudos foram executados nos Estados Unidos e na Galiza, mas é a primeira vez, destaca Jan Keizer, que todos eles foram analisados em conjunto e comparados de forma quantitativa.

Por outro lado, tornou-se evidente que a maior parte das medidas estudadas reduzem de forma significativa a erosão pós-fogo em comparação com nada fazer, defende o investigador. Ainda assim, as medidas de aplicação de resíduos vegetais são mais eficazes do que as de colocação de barreiras físicas e as sementeiras, acrescenta. Keizer realça, por fim, que todas estas medidas são tão mais eficazes quanto mais cedo são aplicadas após os incêndios, nomeadamente antes das primeiras chuvas fortes pós-fogo.

O artigo pode ser consultado em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012825221001112

Comente este artigo
Anterior Incêndios Rurais: 1º relatório provisório: 1 de janeiro a 30 de junho de 2021
Próximo Açores: Atribuídos apoios a mais de 20 associações e cooperativas da Região, anuncia António Ventura

Artigos relacionados

Comunicados

138 municípios vão avançar para o Cadastro Simplificado

Apresentaram candidaturas ao Programa Informação Cadastral Simplificada 138 municípios do Norte e Centro do país que não dispõem de cadastro geométrico da propriedade rústica nem de […]

Últimas

Desperdício alimentar e efeitos COVID-19 | Questionário

A Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (CNCDA) pretende desenvolver um retrato do impacto da pandemia causada pela Covid-19 ao nível das perdas e desperdício […]

Nacional

O futuro da uva de mesa assenta na inovação

Com uma produção anual de aproximadamente 1 milhão de toneladas, com uma área de produção de 47.000 hectares, a Itália é […]