Estrangeiros muito interessados no vinho e no azeite

Estrangeiros muito interessados no vinho e no azeite

Fundado numa região em que no setor agroindustrial predominam as pequenas e médias empresas, o Cluster Agroindustrial do Ribatejo hoje abarca um território mais alargado e os seus associados geram qualquer coisa como 2.241 milhões de euros em volume de faturação. São empresas com alguma vocação exportadora e para promover essa vertente desde há quatro anos o Cluster Agroindustrial do Ribatejo organiza o Agribusiness, ou Encontro Internacional de Negócios que aconteceu recentemente em Santarém.
Nesta conversa com Carlos Lopes de Sousa, presidente do Cluster Agroindustrial do Ribatejo, quisemos conhecer um pouco mais o setor agroindustrial ribatejano.

Que balanço pode ser feito destas quatro edições de Agribusiness?
Foi um crescendo de sucesso os resultados das 4 edições. No total ultrapassámos as 2.350 reuniões promovidas pelo evento, com inúmeras participações de empresas nacionais e internacionais. Os números demonstram o impacto positivo do Agribusiness no seu papel de alavancar novos negócios e parcerias além-fronteiras.

Qual o setor ou setores que mais têm suscitado o interesse dos compradores internacionais?
Os interesses são diversos em correspondência com a diversidade da oferta da região! Identificamos claramente dois focos particulares de interesse: os azeites e os vinhos. Depois destes produtos, destacamos, entre outros, os vinagres, molhos e temperos, conservas, arroz e charcutaria.
Notamos a existência de dois tipos de compradores: os que têm pouco conhecimento sobre os produtos portugueses e graças ao Agribusiness chegam a um primeiro contacto e os que já reconhecem Portugal como uma boa marca e pretendem explorar o potencial do país. Em ambos os casos, temos sentido uma excelente aceitação dos produtos divulgados no Agribusiness, nomeadamente, pela sua qualidade, frescura, embalamento e apresentação. A diferenciação dos produtos apresentados conjuga-se de forma perfeita com a proximidade comprador-empresa proporcionada pelo evento, o que potencia os primeiros passos sólidos na construção de possíveis negócios.

“É, sem dúvida, um setor que está em alta na região, consequência e mérito pelo esforço e interesse crescente na modernização, competitividade e internacionalização”.

Sendo promovido pelo Cluster Agroindustrial do Ribatejo, como é que se define este tecido empresarial? Como é que evoluiu nos últimos anos?
No setor agroindustrial da região ribatejana, predominam as pequenas e médias empresas com alguma capacidade de exportação. No seu conjunto, representam qualidade, diversidade e capacidade de crescimento. É, sem dúvida, um setor que está em alta na região, consequência e mérito pelo esforço e interesse crescentes na modernização, competitividade e internacionalização.
Mas não temos dúvidas de que há ainda muito potencial por explorar e dar a conhecer, objetivos pelos quais trabalhamos, lado a lado, com as empresas e entidades regionais.

É possível quantificar o volume de negócio das exportações da agroindústria ribatejana?
Podemos olhar os números do Instituto Nacional de Estatística relativamente à capacidade exportadora da região. Os dados do INE mostram que, em 2018, a Lezíria do Tejo superou, no conjunto dos vários setores, os 913 milhões de euros em exportações, tendo como principal destino o mercado intra-União Europeia (76%).

Com quantos associados conta e que área (geográfica) representa?
O Cluster Agroindustrial do Ribatejo (AgroCluster) começou com apenas 30 associados fundadores, em 2009, e foi um dos pioneiros neste tipo de trabalho, uma vez que os Clusters não existiam até à data como associação organizada.
Em 10 anos, o crescimento que alcançámos foi expressivo, pois, atualmente, representamos 129 associados dentro das regiões do Alentejo e Ribatejo. Mais concretamente: o território onde se inserem os nossos associados representa 63% da área agrícola portuguesa, gerando os associados do AgroCluster 2.241 milhões de euros de volume de faturação, 579 milhões de euros de exportações e 11.285 postos de trabalho.

Quais são as principais linhas de trabalho em termos futuros do Cluster Agroindustrial do Ribatejo?
Um dos nossos objetivos passa pelo aumento da dimensão do AgroCluster, através do alargamento sustentado às regiões próximas do Ribatejo. Para além disso, queremos dar continuidade ao trabalho de agregação das PME em torno de ações que criem escala à sua oferta e que lhes abram portas ao mercado internacional, tal como acaba de acontecer com o Agribusiness.
No fundo, queremos levar mais longe e a mais empresas e entidades regionais do setor agroindustrial aquela que é a nossa missão: promover a sua competitividade, cooperação e capacidade de internacionalização, através de seminários, divulgação de oportunidades, estudos de mercado, ações de formação, fomentar o relacionamento das nossas empresas com as entidades do nosso sistema científico, visando a inovação e desenvolvimento de produtos e processos, integrar interesses e ações com outros atores e organizações do território.

Publicado na Voz do Campo n.º 231 (novembro 2019)

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O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo .

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