Escassez de mão-de-obra e custos de produção ameaçam crescimento agrícola

Escassez de mão-de-obra e custos de produção ameaçam crescimento agrícola

O setor das frutas, legumes e flores vai de vento em poupa. As exportações estão a crescer, mas há sérias preocupações no horizonte. Aos aumentos exponenciais dos fatores de produção e à falta de trabalhadores soma-se a necessidade de água.

“Desde o início do ano que há um aumento de 20 a 50% nos fatores de produção”, alerta João Miguel Silva, responsável comercial da Ecofrutas, organização que reúne 16 produtores de pera e maçã do Oeste. Exemplos não faltam: “Paletes que custavam 5 euros estão a custar 7,5, e com perspetivas de aumento, os preços dos adubos e pesticidas subiram 20 a 30% face a 2020, há um herbicida que custava 50 euros e agora custa 100. No ano passado, um contentor para o Brasil ficava por 750 euros e agora são 1000”. Consequências? “O consumidor vai pagar mais caro pelos frescos, mais 20 a 30%, e o produtor terá de suportar os aumentos dos custos, porque o grande desafio é conseguir um preço justo” para pagar ao agricultor, diz.

A Ecofrutas, que exporta 70% das cerca de 10 mil toneladas de fruta que produz, é apenas uma das 21 empresas portuguesas que marcaram presença na Fruit Attraction, uma das principais feiras internacionais de frutas e legumes que decorreu esta semana em Madrid, preocupada com esta questão. O grupo Luís Vicente, que tem produções de pera e nectarinas no Alentejo e, em parceria, de abacaxi na Costa Rica e de manga e papaia no Brasil, sublinha que “há uma inflação clara” nos custos, que “nem sempre se consegue refletir no preço final, o que acaba por afetar um pouco a rentabilidade” do negócio. “Não é possível continuarem a aumentar os custos de contexto sem que isso se reflita nos consumidores, não se pode aguentar mais um ano ou dois nisto”, diz João Antunes, diretor financeiro do grupo português.

Novas apostas
O responsável admite que a grande distribuição “é necessária” aos produtores, mas “tem uma forte capacidade negocial” e, por vezes, o elo mais fraco precisa mesmo de escoar a sua produção, acabando por aceitar o preço que as cadeias de supermercado oferecem. Para diminuir a exposição a estes clientes, […]

Continue a ler este artigo no Dinheiro Vivo.

Comente este artigo
Anterior La tendencia alcista se instala en el mercado de vacuno
Próximo Cimeira da biodiversidade começa na segunda-feira entre desconfiança e otimismo moderado

Artigos relacionados

Nacional

Fundos comunitários não justificam quebra histórica do investimento

O início de um quadro comunitário não é sinónimo de quebra de investimento. António Costa, no frente a frente com Rui Rio transmitido pela televisões, […]

Últimas

Ministra promete “olhar para as reivindicações” dos agricultores

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, recebe esta segunda-feira a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), para ouvir as reivindicações dos produtores. […]

Últimas

Grupo Luís Vicente com 15 mil toneladas de fruta vendidas este ano

Este ano o Grupo Luís Vicente produziu e comercializou 15 mil toneladas de fruta portuguesa e espera atingir quase 100 milhões de euros de faturação com impulso da marca Maria. […]