Investigadores do Instituto Thünen, na Alemanha, desenvolveram um método que permite editar o genoma da faia europeia (Fagus sylvatica) através da ferramenta CRISPR/Cas12a. O avanço abre novas possibilidades para estudar os genes desta espécie florestal, embora ainda não permita obter árvores geneticamente editadas.
✍️ Carla Amaro
A faia-europeia é uma das árvores de folha caduca mais importantes da Europa Central, tanto pelo seu papel nos ecossistemas florestais como pelo valor económico da sua madeira. As alterações climáticas representam, contudo, uma ameaça à vitalidade e à produtividade desta espécie, tornando importante compreender os mecanismos genéticos envolvidos na sua resposta às condições ambientais.
Num estudo publicado a 26 de agosto de 2026 na revista científica Communications Biology, uma equipa do Instituto Thünen de Genética Florestal, na Alemanha, estabeleceu um método para introduzir material genético e realizar edição genética em protoplastos de faia-europeia. Os protoplastos são células vegetais das quais foi removida a parede celular, permitindo introduzir nelas componentes necessários à investigação genética.
Os investigadores utilizaram a ferramenta CRISPR/Cas12a, uma tecnologia que permite modificar sequências específicas do ADN. Para testar o sistema, dirigiram a edição ao gene FsPDS, envolvido na produção de carotenoides, pigmentos importantes para as plantas.
A eficiência de edição observada variou entre 4,75% e 32,69%, consoante o RNA-guia utilizado e o método de quantificação. A equipa otimizou também o processo de transformação genética, alcançando uma eficiência máxima de 59% na introdução temporária de material genético nas células.
Um passo para estudar a resposta das árvores ao stress
A nova metodologia poderá facilitar a investigação de genes envolvidos no crescimento, desenvolvimento e resposta da faia a fatores de stress ambiental. Ao permitir testar a função de genes em células vegetais, o método poderá ajudar os investigadores a identificar alvos relevantes para futuros estudos de melhoramento florestal.
No entanto, o trabalho apresenta limitações importantes. Embora os investigadores tenham conseguido editar o ADN das células, ainda não estabeleceram um sistema de regeneração que permita obter árvores completas a partir dos protoplastos editados. Além disso, a eficiência dos procedimentos variou ao longo do ano, mostrando que é necessário melhorar a sua reprodutibilidade.
Assim, o estudo não demonstra ainda que seja possível produzir faias mais resistentes à seca, ao calor ou a outras consequências das alterações climáticas. Constitui, antes, um avanço metodológico que poderá contribuir para compreender melhor a genética desta espécie e apoiar futuras investigações em biotecnologia florestal.
Estudo científico: Zahn, V. et al. (2026). Genetic transformation and CRISPR/Cas12a-mediated gene editing of European beech (Fagus sylvatica L.) employing a transient protoplast system. Communications Biology, 9, 1145.
Consultar o estudo científico na revista Communications Biology.
Consultar o registo do artigo na PubMed.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.















































