É preciso recuar a 2014 para encontrar um ano com tão poucos incêndios

É preciso recuar a 2014 para encontrar um ano com tão poucos incêndios

[Fonte: Expresso]

Dos 7915 incêndios registados este ano, cerca 85% (6712) foram de pequenas dimensões – queimaram menos de um hectare; já 33 fogos queimaram áreas entre 100 e 1000 hectares

O verão está ameno e os incêndios, salvo o que lavrou nos concelhos de Vila de Rei e Mação em julho, têm sido poucos e de pequena dimensão. Desde o início do ano e até 26 de agosto, registaram-se 7915 fogos em Portugal e arderam 27136 hectares, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas a que o Expresso teve acesso. Nesta data, em 2018, já haviam ardido 36780 hectares. Na última década, apenas 2014 apresenta um número menor de incêndios (7454) e área ardida (17075 hectares), para o mesmo período de tempo.

Dos 7915 incêndios registados este ano, cerca 85% (6712) foram de pequenas dimensões – queimaram menos de um hectare; já 33 fogos queimaram áreas entre 100 e 1000 hectares.

“A área ardida é claramente baixa para esta altura do ano, mas não quer dizer que não possa ainda vir a aumentar. Setembro, outubro e novembro são meses que se esperam muito secos”, alerta Paulo Fernandes, engenheiro florestal e especialista em fogo.

Os dados do IPMA corroboram a opinião do especialista: nove concelhos dos distritos da Guarda, Faro e Castelo Branco apresentam esta quinta-feira um risco máximo de incêndio.

O professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro fala num “verão pouco mediterrâneo” e diz que não é, para já, possível saber se a baixa ocorrência de incêndios é fruto de alguma das medidas implementadas pelo Governo ou das condições meteorológicas.

“Só mais tarde, após uma análise, é que conseguiremos distinguir, separar a meteorologia do efeito humano”, explica.

O incêndio de Mação e Vila de Rei, que ocorreu em julho, consumiu cerca de 9500 hectares e é responsável por mais de um terço da área ardida este ano. Um cenário que encontra paralelo se olharmos para dados de 2018: dos 36780 hectares que já haviam ardido no ano passado, a 26 de agosto, 27 mil (cerca de dois terços) sucumbiram no incêndio de Monchique.

Segundo o especialista, em 2018 e 2019, ocorreram menos incêndios de grandes dimensões e os dois que se registaram foram exceções: “Ambos ocorreram em grandes paisagens contínuas do ponto de vista florestal. Coincidiram com picos de calor, grande intensidade de vento e baixa humidade.”

Em 2017, até ao dia 26 de agosto, já haviam ardido 234 mil hectares e tinham sido registados 33 incêndios rurais a lavrar áreas superiores a 1000 hectares, indicam os números do MAI. Por comparação, nos últimos dois anos, houve apenas duas ocorrências com dimensões semelhantes: Monchique (2018) e Vila de Rei e Mação (2019).

Mais operacionais no terreno desde 2017

Desde 2015, o número de operacionais no terreno para combate aos incêndios aumentou de 9.721 para 11.492, segundo dados do Ministério da Administração Interna.

No mesmo período, o número de viaturas subiu de 2.050 para 2.495. Entre 2015 e 2017, porém, o contingente esteve praticamente estagnado.

GNR já deteve 45 pessoas este ano

Só este ano, a Guarda Nacional República registou 4348 crimes de incêndio florestal, o que resultou na detenção de 45 pessoas e na identificação de outras 451.

A força policial registou ainda 593 autos de notícia por contraordenação por incumprimentos das normas para a realização de queimas e queimadas.

Comente este artigo

O artigo É preciso recuar a 2014 para encontrar um ano com tão poucos incêndios foi publicado originalmente em Expresso.

Anterior Serralves promove conferência para discutir relatório da ONU sobre biodiversidade
Próximo Azeite do Alentejo investe 265 mil euros em ações de promoção externa entre 2016 e 2019

Artigos relacionados

Últimas

FAO diz que é preciso adaptar a agricultura às alterações climáticas

[Fonte: Publico]
A organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO) alertou esta segunda-feira que é urgente ajudar o sector agrícola a adaptar-se às alterações climáticas, […]

Eventos

1º Congresso Ibérico do Milho – 13 e 14 de Fevereiro – Lisboa

1º Congresso Ibérico do Milho reúne 600 agricultores e técnicos agrícolas em Lisboa

O milho é uma das principais culturas arvenses semeadas na Península Ibérica, […]

Últimas

51ª Edição da AGRO arranca a 10 de maio de 2018

A AGRO – Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação vai realizar-se de 10 a 13 de maio de 2018. Será a primeira feira a realizar-se no novo Parque de Exposições de Braga, que será inaugurado no segundo trimestre do próximo ano.