Deputados do PSD acusam Governo de suspender remoção de jacintos no Sorraia

Deputados do PSD acusam Governo de suspender remoção de jacintos no Sorraia

Ministério do Ambiente diz que só num açude já foi efectuada a remoção do jacinto-de-água de uma área superior a 2,6 hectares mas os meios tiveram de ser deslocados para outros locais.

Deputados do PSD eleitos pelo círculo de Santarém acusam o Ministério do Ambiente e da Transição Energética (MATE) de ter suspendido as operações de remoção de jacintos-de-água do rio Sorraia duas semanas depois do seu início. E consideram que o plano de remoção, anunciado em Agosto, pelo ministro Matos Fernandes, “não passou de um embuste”. O MATE rejeita as acusações e sustenta que foi necessário mudar os meios de remoção dos jacintos para outros locais, de modo a permitir que os agricultores esvaziem os canteiros de produção de arroz.

Os parlamentares sociais-democratas sublinham que, segundo informação da Agência Portuguesa do Ambiente, esta operação, iniciada em Agosto, teria a duração de pelo menos 9 meses. “Mas, volvidas duas semanas, quase toda a maquinaria foi retirada do local e as acções pararam no distrito de Santarém”, refere Duarte Marques, um dos subscritores da pergunta, que, em declarações ao PÚBLICO, afiança que as organizações de agricultores envolvidas ainda não receberam nenhum tipo de apoio, nem sabem como é que este plano de remoção vai ser financiado. “Tanto na zona Ponte do Rebolo no Biscainho (concelho de Coruche), como em Trejoito (concelho de Benavente), não há qualquer operação a decorrer, o que é preocupante e revoltante. A operação apresentada pelo Ministro do Ambiente e da Transição Energética não passou, afinal, de um embuste”, sustentam os deputados do PSD.

Ministério desmente deputados

O gabinete do ministro Matos Fernandes tem uma versão completamente diferente. “Continuamos no terreno, nomeadamente no açude do Furadouro e na albufeira de Magos. A intervenção na albufeira de Magos, que também estava repleta de jacintos, é necessária para permitir aos agricultores conseguirem esvaziar os canteiros de arroz. Para isso, foi necessário deslocalizar os meios que estavam a operar noutros locais”, refere o MATE, em resposta ao PÚBLICO, frisando que no açude do Furadouro (operação iniciada a 4 de Setembro) “já foi efectuada a remoção do jacinto-de-água de uma área superior a 2,6 hectares” e a operação “está, ainda, a decorrer”.

De acordo com o gabinete do ministro da tutela, o material vegetal ali recolhido “tem sido colocado na margem da albufeira, afastado da água, para secagem. Após a secagem, o material sobrante apresenta uma redução de volume de cerca de 70% em relação ao material vegetal recolhido. Este material vegetal removido encontra-se depositado nas margens. Tendo em conta que o jacinto não é tóxico, nem para o homem nem para os animais, poderá vir a ser incorporado no solo”, acrescenta a mesma fonte.

Os deputados do PSD eleitos pelo distrito de Santarém é que não se mostram convencidos e dirigiram, esta quinta-feira, uma pergunta ao ministro do Ambiente e da Transição Energética. “Há cerca de duas semanas testemunhámos o início dos trabalhos de remoção da praga de jacintos-de-água no rio Sorraia. Finalmente, após o primeiro alerta que fizemos em Outubro de 2016. ​Na altura, apesar do alerta, a resposta foi vaga e revelou falta de empenho do Ministério do Ambiente na resolução deste problema. Desde 2016 que os deputados do PSD vinham a alertar para a situação e o Governo nada fez”, criticam.

Considerando que a visita do ministro Matos Fernandes ao Sorraia e o plano de remoção apresentado resultaram das denúncias feitas, os parlamentares do PSD estranham que as operações tenham, alegadamente, decorrido apenas junto à Ponte do Rebocho (Coruche) e no Trejoito (Benavente), zonas onde a praga, dizem, “é mais visível pela população”. Questionam, por isso, que iniciativas está o MATE disposto a desenvolver “para acabar de vez com esta praga em todo o rio Sorraia” e que “medidas vão ou estão a ser tomadas pelos organismos competentes para controlar e prevenir esta espécie invasora no Rio Sorraia”. Querem, também saber qual será a data de início da actuação do MATE nesta matéria e como pretende o Governo financiar esta operação.

Recorde-se que, em Agosto, o MATE divulgou um plano de remoção dos jacintos-de-água do Sorraia elaborado pela Agência Portuguesa do Ambiente. O documento admite que mais de metade dos 155 quilómetros de extensão do Sorraia estavam, na altura, afectados pela praga dos jacintos-de-água. O plano envolve parcerias com autarquias locais e com a Associação de Regantes do Vale do Sorraia e previa medidas de remoção (mecânica e manual) de jacintos a desenvolver no curto prazo, assim como a colocação de barreiras que impedissem a sua maior dispersão. Recomendava, também, acções de médio prazo, com a implementação de um Plano de Remoção e Controlo do Jacinto-de-Água no rio Sorraia e no seu afluente rio Sôr e a eventual aquisição de uma ceifeira aquática.

Continue a ler este artigo no Público.

Comente este artigo
Anterior Vinhos e azeites portugueses escapam às novas taxas aduaneiras dos EUA
Próximo Fundos comunitários não justificam quebra histórica do investimento

Artigos relacionados

Últimas

Produtores de arroz debatem-se com a falta de água na bacia do Sado

Zona hidrográfica está a 25% da capacidade máxima. Produtores de arroz lamentam a inação do Governo.

Nas margens do Sado, […]

Notícias florestas

Eucalipto: um nome para centenas de espécies florestais

Eucalipto é o nome comum dado a muitas espécies dos géneros Eucalyptus, Corymbia e Angophora. A boa adaptação ao solo e clima nacional, a rapidez de crescimento e as propriedades da madeira contribuíram para […]

Últimas

Valorização das pastagens é “enorme mais valia” para a agricultura nos Açores

A valorização das pastagens constitui uma enorme mais valia para a redução de custos nas explorações açorianas e para a sustentabilidade ambiental e é […]