Covid-19: Governo dos Açores apela às indústrias para não baixarem preço do leite

Covid-19: Governo dos Açores apela às indústrias para não baixarem preço do leite

O Governo dos Açores apelou hoje às indústrias para não baixarem o preço do leite pago à produção durante as “circunstâncias excecionais” provocadas pela covid-19, através de uma carta do secretário regional da Agricultura e Florestas.

Na missiva enviada por João Ponte às indústrias de laticínios dos Açores, e a que a Lusa teve acesso, o governante pede para que se mantenha o “contrato de confiança” entre indústria e produtores.

“Lançamos o apelo para que o ‘contrato de confiança’ entre as partes se mantenha, numa altura em que os valores da solidariedade e da defesa da coesão socioeconómica não devem ser postos em causa”, lê-se no documento.

João Ponte assinala que as circunstâncias provocadas pelo novo coronavírus exigem de todos os intervenientes, Estado incluído, um “esforço acrescido no sentido minimizar os efeitos devastadores” a nível social e a nível económico.

O governante frisa que o setor da produção de leite tem sido confrontado com “enormes desafios”, como a liquidez das explorações, os custos das matérias-primas, a escassez da mão de obra e as “exigências cada vez maiores” ao nível de questões sanitárias, de “compromissos fiscais” e de segurança social.

“Tudo isto agravado pelos baixos preços pagos e por restrições impostas à produção”, aponta.

O secretário regional assinala que para atravessar este difícil período será necessária a “comunhão de esforços entre todos os parceiros envolvidos no setor”, para assegurar o rendimento de milhares de famílias açorianas.

“Não é plausível que, neste momento delicado, os esforços não sejam repartidos e que a primeira reação possa ser a transferência intempestiva de eventuais consequências para o elo menos dominante de toda a cadeia”, refere.

João Ponte assinala que se registou um aumento na procura por produtos lácteos em Portugal ao longo do último mês na ordem dos 10% a 20%, o que levou a um “significativo” volume de vendas dos produtos lácteos considerados essenciais.

“Numa situação de elevada complexidade, como o é a atual, todos temos de fazer a nossa parte, para que amanhã o benefício seja mútuo, da produção e da indústria”, conclui a carta enviada pelo secretário regional.

Nos últimos dias foram avançadas notícias sobre a possibilidade de a Prolacto – Laticínios de São Miguel baixar em um cêntimo o preço litro de leite já em maio, existindo a possibilidade de nova baixa do preço em junho.

Em fevereiro, o preço do leite nos Açores situou-se nos 0,28 cêntimos quando o transporte foi a cargo da fábrica (produtores com tanque de refrigeração) e nos 0,26 cêntimos quando o transporte foi a cargo do produtor (entrega nos postos de receção da fábrica).

Até ao momento, foram detetados nos Açores 84 casos positivos de covid-19, verificando-se três recuperados, três óbitos e 78 casos ativos.

O novo coronavírus já matou mais de 96 mil pessoas e infetou mais de 1,7 milhões em 193 países e territórios desde o início da pandemia, em dezembro passado, na China.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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