Covid-19 deixa mais 19,5 milhões de pessoas à beira da fome

Covid-19 deixa mais 19,5 milhões de pessoas à beira da fome

A crise provocada pela Covid-19 trouxe ainda mais à superfície as dificuldades que as populações mais vulneráveis enfrentam e tirou alimentos àqueles que já tinham dificuldade em consegui-los. Nos 13 países mais afetados pela fome no mundo, a pandemia deixou mais 19,5 milhões de pessoas à beira da fome – eram, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM), publicado em abril, 135 milhões de pessoas em 55 países.

A fome é medida por fases: a partir da terceira de cinco existentes, a situação é grave. Há, nesses casos, falta de acesso a alimentos básicos, desnutrição e morte. Um estudo publicado na terça-feira pela Rede Mundial contra as Crises Alimentares revelou que são agora 155 milhões as pessoas que se encontram nas três fases mais críticas da fome.

Em números totais, é a República Democrática do Congo o país mais afetado pela pandemia: 21,8 milhões de pessoas encontram-se em situação de insegurança alimentar.

O impacto do novo coronavírus deverá ainda aumentar a mal-nutrição infantil, os atrasos no crescimentos e as deficiências nutritivas. Segundo Derek Headey, investigador no Instituto Internacional de Polícias Alimentares, citado pelo El País, “a incapacidade da comunidade internacional de arranjar uma solução terá consequências devastadoras e duradouras nas crianças”.

Além da fome, os menores sabem cada vez mais o que é a pobreza. De acordo com um documento publicado esta quinta-feira pela Save The Children e a Unicef, mais de 150 milhões de crianças conheceram a pobreza – classificada como as carências educativas e sanitárias e a falta de alimentos, água e dinheiro – após a pandemia. No total, cerca de 1,2 mil milhões de crianças passam por este cenário.

Em 2019, de acordo com o Relatório Global 2020 sobre Crises Alimentares, divulgado pelas Nações Unidas, eram cerca de 135 milhões as pessoas que estavam à beira da fome. Foi o número mais alto apresentado nos quatro anos de existência deste relatório.

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