Corticeira Piedade avança para despedimento de 42 ao encerrar produção de rolhas

Corticeira Piedade avança para despedimento de 42 ao encerrar produção de rolhas

A administração da empresa Piedade, em Santa Maria da Feira, anunciou esta terça-feira o despedimento de 42 trabalhadores e o encerramento total da sua produção de rolhas de cortiça nessa fábrica do grupo francês Oeneo.

Segundo avançou fonte da empresa de Fiães à Lusa, o despedimento coletivo abrange todos os operários afetos à produção e, consoante a antiguidade de cada funcionário, deverá concretizar-se até ao prazo máximo de 6 de agosto, altura em que será encerrado o fabrico de rolhas.

A partir daí, a empresa ficará apenas com cinco funcionários e dedicar-se-á em exclusivo “à gestão de stocks e venda de ativos” dessa e de outras unidades do Grupo Piedade, reequacionando o seu modelo de negócio “em consonância com a atividade de compra de cortiça na floresta” atualmente realizada pela Sá & Sobrinho.

“O facto de a Piedade ser a única empresa da Oeneo a produzir rolhas tradicionais colocava-a desalinhada com aquele que é o foco e estratégia do grupo, e este despedimento afigura-se como absolutamente necessário para procurar garantir a sustentabilidade e viabilidade da firma”, explica a mesma fonte.

A Piedade vinha enfrentando “um progressivo desinteresse do mercado pelas rolhas tradicionais, o que tem levado a uma quebra contínua das suas vendas desse produto” e também explica que tenha vindo “a acumular prejuízos ao longo dos últimos exercícios fiscais”.

O despedimento agora anunciado não coloca em causa as encomendas já rececionadas, que a Piedade diz que “serão integralmente satisfeitas”, mas, uma vez consumada a redução de pessoal, a empresa trocará a atividade produtiva pela comercialização de bens.

Quanto à situação dos funcionários agora dispensados, a Piedade informa que nesta fase “não existem vagas disponíveis para a sua recolocação na PIETEC nem na Sá & Sobrinho”, mas realça que “está acordado com a empresa de outplacement LHH, contratada para acompanhar e apoiar os trabalhadores durante este processo, que, sempre que surjam vagas na PIETEC ou na Sá & Sobrinho, os operários abrangidos pelo despedimento coletivo serão privilegiados”.

O grupo português Piedade é desde 2015 detido a 100% pelo grupo francês Oeneo, que se assume como o segundo maior produtor de rolhas de cortiça a nível mundial. A aquisição inseriu-se num plano estratégico de longo prazo para reforçar a posição da Oeneo no mercado global e acelerar o crescimento do grupo, que se vem dedicando sobretudo à produção de rolhas de microgranulado.

Na fábrica Pietec, também instalada em Fiães e parte do Grupo Piedade, a Oeneo levou a cabo outro despedimento coletivo em setembro de 2018, dispensando então 38 trabalhadores que se recusaram a exercer funções em regime de laboração contínua.

Contactado pela Lusa, o responsável do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, Alírio Martins admitiu que já antecipava o corte laboral, uma vez que “a Piedade está há algum tempo a tentar vender as suas instalações de Fiães e do Alentejo” – o que a empresa confirma, revelando que, desde maio de 2018, nenhuma proposta de compra atingiu o valor patrimonial mínimo exigido.

Alírio Martins defende, contudo, que “a empresa não está a passar dificuldades e simplesmente optou por não trabalhar com rolha natural”, o que deixará alguns dos funcionários abrangidos pelo despedimento em situação pior do que outros.

“O setor consegue absorver pessoas de categorias muito técnicas, como broquistas, traçadores, rabaneadores e caldeireiros, mas trabalho para as mulheres, sobretudo para as escolhedoras, dificilmente se vai arranjar”, lamenta o dirigente sindical, em referência às 19 operárias que a Piedade deixa sem emprego.

O artigo foi publicado originalmente em Dinheiro Vivo.

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