Contrariar o vício urbano – Isabel Abreu Lima

Contrariar o vício urbano – Isabel Abreu Lima

O desenvolvimento do Portugal rural é uma necessidade fundamental ao crescimento económico do país e à sua coesão territorial.

Quando falamos em desenvolvimento rural, qual é o primeiro pensamento que nos vem à cabeça? Talvez a mente nos transporte num primeiro momento para outros continentes, mas hoje desafio-vos a olhar mais de perto – para dentro das nossas fronteiras e para a nossa realidade das últimas décadas.

Dentro de um país pequeno como Portugal há uma grande assimetria, tanto na distribuição populacional como na distribuição de riqueza. E é um fenómeno que se tem vindo a agravar com a corrida às cidades e com a sociedade de consumo como a conhecemos.

Partilho o meu exemplo. Cresci no interior, um pouco mais afastada das facilidades e conveniências. Uma simples ida ao Porto ficava marcada por coisas tão simples como uma viagem de elevador, centros comerciais, ou ruas que à noite se enchiam de luz – coisas que no nosso dia-a-dia eram tão diferentes. Foi uma infância cheia de alegria nas coisas mais pequenas, em que se passava mais tempo a brincar ao ar livre do que dentro de casa. Olhando para trás, gosto de pensar que me ensinou a valorizar o que noutros contextos era tão banal. Não me fez menos inteligente nem menos enquadrada na sociedade – tive qualidade de ensino, diversidade, muito desporto e espaços de criatividade. Pelo contrário, cresci imersa nas suas diferenças mais profundas. Pequenas comunidades abrem portas a ligações entre pessoas e gerações diferentes. Aprendemos por exemplos simples e reais, pelas relações próximas que criamos, algo que ultrapassa o que nos ensinam nas escolas. Até ao momento em que ir para a cidade se torna quase necessário – para crescermos humana e academicamente, abrindo portas a novos conhecimentos e oportunidades.

Voltando hoje a casa, o vazio preocupa-me. Vejo poucas crianças nas escolas, vejo as piscinas semi-olímpicas, antes cheias de jovens, agora vazias e degradadas. Professores e médicos em constante rotação, sempre à espera da primeira oportunidade de se recolocarem na cidade. Em apenas 20 anos, o mundo evoluiu: a tecnologia desenvolveu-se, a rede de estradas cresceu, a conectividade aumentou…

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