Considerações gerais sobre a cultura do tomateiro

Considerações gerais sobre a cultura do tomateiro

Em relação à sua cultura, é importante realçar que o tomateiro (Solanum lycopersicum) é um vegetal com um ciclo de cultivo bastante complexo e com exigências vitais e nutricionais muito completas e precisa de regas abundantes.

Para a germinação das sementes a temperatura do solo deve ser superior a 15 ºC. Na fase vegetativa as temperaturas deverão estar entre os 10 e os 30ºC, sendo o óptimo diurno para a polinização de 20-25 ºC. Paragem do desenvolvimento vegetativo abaixo dos 10 ºC e acima dos 30 ºC. Escaldão dos frutos acima dos 36 ºC.

O tomate não precisa estar maduro para a colheita, que, em geral, inicia-se de 90 a 100 dias após a realização do transplante. Fora do pé, o fruto ainda continua a amadurecer.

Solos: Texturas médias a pesadas. Solos ricos em matéria orgânica e com boa drenagem. pH 6.0-7.0. Planta moderadamente sensível aos sais do solo (salinidade máxima de 3-5 mS/cm) e relativamente tolerante ao excesso de sódio; Clima: ameno; Área mínima: canteiros de hortas e vasos; Colheita: entre 90 e 110 dias a partir do transplante.

A adubação orgânica é recomendada nas dosagens de 2 a 10 t/ha (dependendo da pureza) de estrume de galinha, aplicado no rego de plantação, ou de 6 a 20 t/ha de estrume de gado, aplicado a lanço ou no rego. Esta prática é pouco utilizada, uma vez que a plantação de tomate para industrialização é feita em grandes áreas.

Alguns passos fundamentais para o cultivo e os principais aspetos que deve ter em conta quando começar a trabalhar com ele:

  • Sementeira: Em regiões de clima ameno, as sementes devem ser semeadas em março e, em abril, em climas mais frios. É aconselhável fazê-lo no canteiro de sementes, cobrindo cada semente com aproximadamente meio centímetro de solo ou substrato. Mais tarde, deve regar com cuidado para não mexer muito a terra, e tentar mantê-la húmida até a aparência dos primeiros rebentos;

  • Transplante: Quando vemos que as pequenas plantas estão estão mais ou menos desenvolvidas (já têm pelo menos 4 folhas), vamos movê-las para o lugar onde queremos criar na nossa horta, seja em terra livre, caixas ou mesas de cultivo. Esta parte é delicada e, para não danificar as mudas ao removê-las, devemos retirá-las a partir da parte do caule mais próxima da terra e retirá-las com firmeza, mas com cuidado. Vamos enterrá-las novamente na nova localização, cobrindo o caule com terra até onde começam as  primeiras folhas. Aconselha-se regar abundante e regularmente.

  • Instalação de tutores: Os tutores são estacas (pode usar, por exemplo, cana) de cerca de um metro e meio de altura instalados ao lado de cada planta. Cerca de 15 ou 20 dias após o transplante, vamos anexar cada tomateiro ao seu tutor, sempre abaixo de cada ramo floral. Este procedimento é necessário em todos os casos porque os tomateiros podem crescer até mais de dois metros e, sem um tutor para os sustentar, não podem crescer adequadamente e, consequentemente, não nos darão bons tomates.

  • Poda: É conveniente realizá-la entre maio e julho e sendo que tem sempre de realizar podas sucessivas cortando os galhos florais. É importante ressaltar que não será necessário podar as variedades de tamanho definido, ou seja, aquelas que possuem um crescimento limitado.

  • Colheita: Geralmente é realizada de julho a agosto, dependendo do grau de maturação do tomate, que é de fácil avaliação, de acordo com a sua cor e consistência.

→ Doenças e pragas:

  •  Relativamente aos insetos, os mais importantes são a mosca-branca, o pulgão e a traça-do-tomateiro, cujos principais sintomas identificáveis ​​seriam o enfraquecimento geral da planta e a queda das flores.
  • Doenças causadas por fungos: são facilmente distinguíveis, pois costumam apresentar sintomas de esbranquiçado, cinza ou acinzentado (de aspecto de mofo) e podridão muito clara. Existem fungos que afetam o tomate com frequência, como:

• O míldio do tomate (manchas esbranquiçadas na parte inferior das folhas);

• O oídio do tomate (manchas amarelas nas folhas e esbranquiçadas na parte inferior);

• Antracnose do tomate (causa manchas nos frutos, primeiro de tons avermelhados e depois pretos).

  • Pode também ocorrer doenças virais, sendo as mais frequentes causadas por:

• Vírus do mosaico do tomate (mosaico de manchas de folhas coloridas diferentes – tons verdes – e frutas – tons vermelhos -);

• O vírus de curtimento do tomate (descoloração moderada das folhas e muito evidente dos frutos).

• Em relação às doenças bacterianas, podemos apontar como mais frequentes o cancro e a sarna bacterianos do tomateiro. As doenças bacterianas são geralmente reconhecíveis pelo aparecimento de pústulas nos caules e frutos, e pela formação de manchas necróticas nos frutos.

Entre plantas, a recomendação é de 50 a 60 centímetros e, entre linhas, de um a 1,20 metro. Uma dica para um crescimento mais vigoroso do tomateiro é combinar o cultivo com ervas aromáticas.

Autoria: Leonardo Silva Boiteux (Investigador em genética e melhoramento de hortícolas).

O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo.

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