Conseguirá a agricultura acompanhar as novas tendências? – João Castro Pinto

Conseguirá a agricultura acompanhar as novas tendências? – João Castro Pinto

Nos últimos anos, a tecnologia tem impulsionado a reestruturação de vários negócios e o setor agrícola não ficou de fora, estando, neste momento, a passar por um processo de transformação e de modernização.

Por um lado, o aparecimento de novas plataformas tecnológicas permite aos agricultores captarem muitos mais dados, dando origem a um trabalho mais preciso e promovendo uma maior eficiência na utilização dos seus recursos.

Por outro lado, novas formas de trabalhar como a agricultura de precisão, o recurso a imagens de satélite e drones para controlar as culturas à distância, o uso de aplicações móveis para recolha de dados meteorológicos, gestão da rega, e robotização para apoiar os agricultores nas suas tarefas diárias, são algumas das tecnologias que estão a dinamizar a transformação digital pela qual este setor está a passar.   

Mas há quem olhe para esta evolução como uma ameaça. Não é fácil para um setor, considerado tão tradicional, adaptar-se às novas tecnologias à velocidade que elas impõem. É preciso investimento em conhecimento e, tão ou mais importante, em recursos humanos que estejam preparados para lidar com estas as novas realidades.

Muito para além de uma ameaça, encaramos a inovação tecnológica como uma oportunidade e um desafio. E porquê? Além de ser uma forma da nossa empresa se destacar no mercado e de se diferenciar dos seus concorrentes, é também um caminho para nos aproximar do cliente, neste caso do agricultor, e responder de forma mais eficiente àquilo que ele necessita para a sua exploração agrícola, nomeadamente ajudá-lo a aumentar a rentabilidade do seu negócio. Produzir mais e de forma mais eficiente, exige cuidados redobrados na nutrição vegetal, com tomadas de decisão rápidas, seguras e apoiadas nos últimos conhecimentos disponíveis.

A inovação e adaptação às novas realidades da agricultura e nutrição vegetal só pode ser conseguida através da pesquisa de novas matérias primas que resultem em novos produtos, depois de devidamente estudadas e exploradas todas as suas características próprias, e desenvolvidas propositadamente para os fins em vista. Para tal, é necessário que se avaliem diversos compostos químicos e bioquímicos, se analisem as suas potencialidades e compatibilidades, e que se produzam protótipos para ensaios laboratoriais, em vaso e de campo. É, também, imprescindível um criterioso acompanhamento destes ensaios, com recurso a análises bioquímicas, e registos das produções obtidas e respetiva qualidade, de forma a comprovar, sem equívocos, os benefícios dos novos produtos.

Em todo este processo gostamos de partilhar e aprofundar o conhecimento, o que fazemos em rede com o meio académico e científico. Muitos dos ensaios e estudos agronómicos que desenvolvemos são efetuados em conjunto com universidades e centros de investigação especializados e independentes da Península Ibérica, com quem temos parcerias. Nestas colaborações tentamos acrescentar valor às ideias em desenvolvimento, tendo como farol o conhecimento dos cientistas, a sensibilidade dos técnicos e as necessidades da lavoura. Desta forma, e com os resultados concretos dos novos fertilizantes colocados no mercado, antecipamos o futuro no tempo presente.

Por isso mesmo, quando nos colocam a pergunta sobre se conseguirá a agricultura acompanhar as novas tendências, a nossa resposta é “sim”. Mas muito através da investigação e desenvolvimento, da dedicação e do empenho de todos os profissionais. Desta forma, conseguiremos criar e inovar nos produtos fertilizantes e, assim, estarmos completamente alinhados com as necessidades de um mercado cada vez mais competitivo.

Eng.º João Castro Pinto, responsável pela área de Investigação e Desenvolvimento da ADP

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