Compras portuguesas de cereais estão seguras. Consumo já cai e volta ao bairro

Compras portuguesas de cereais estão seguras. Consumo já cai e volta ao bairro

Nos canais de comercialização, governo diz que consumidores estão a virar-se para lojas de proximidade, que estão a aumentar volume de negócios.

O governo diz que mantém a avaliação ao ritmo das importações portuguesas, mas indica que para já não há quebras a assinalar nos fornecimentos ao país. Nos cereais, incluindo o arroz, um dos sectores em que Portugal é mais deficitário, os abastecimentos continuam seguros. Internamente, as cadeias logísticas estão também a reorganizar-se, ao mesmo tempo que os portugueses parecem agora estar a virar-se para o comércio local no consumo, que já está a diminuir.

“Os abastecimentos de cereais, arroz, estão neste momento a funcionar de forma bastante segura”, apontou o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, após sexta reunião do Grupo de Acompanhamento e Avaliação das Condições de Abastecimento de Bens nos Setores Agroalimentar e do Retalho. Segundo o governante há “alguma atenção e preocupação relativamente àquilo que é o acesso aos nossos fornecedores internacionais, mas não foram manifestadas neste momento preocupações a este respeito”.

Nas fronteiras marítimas, indicou Siza Vieira, “os portos portugueses estão a funcionar normalmente”. Segundo o ministro, houve nos primeiros dias dificuldades vividas no Porto de Lisboa, que têm vindo a ser ultrapassadas. O governante deu conta de problemas com uma descarga de bagaço de colza, usado na produção de biodiesel, e no acesso a silos de armazenagem. “A informação que temos é que estas questões estão em vias de regularização também no porto de Lisboa”.

Já nas chegadas por terra do interior da Europa, as vias verdes determinadas pela Comissão Europeia para assegurar o trânsito de mercadorias dentro do espaço europeu “têm estado a funcionar relativamente bem”. Também na circulação de bens dentro do país, o governo vê o problema resolvido, embora os produtores nacionais estejam a sofrer o impacto de encerramento de hotéis e restaurantes e limitações nos canais de exportação, sem escoamento garantido.

Consumo já cai e procura loja de bairro

Quanto aos canais comerciais, o ministro da Economia indicou que se assiste já à diminuição do consumo, que normalizou, até decaiu um pouco, mas está neste momento relativamente estabilizado”. Mas assinalou que o comércio local está agora a responder mais às necessidades das famílias.

“No comércio de proximidade, o consumo está a aumentar bastante significativamente”, indicou o responsável do governo, juntando que “muitos destes agentes económicos se têm mobilizado para fazer distribuição ao domicílio, sobretudo para aquelas pessoas que estão mais recatadas e mais isoladas. Isso não só se tem refletido num melhor serviço à comunidade, mas também num crescimento do volume de negócios neste sector”.

Perante as dificuldades de escoamento que o estado de emergência representa para os produtores nacionais, o ministro da Economia e a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque”, deixaram apelo também ao consumo de produtos nacionais. Há uma campanha em curso com este mesmo apelo, lembrou a ministra da Agricultura.

Maria do Céu Albuquerque disse que está também a tentar sensibilizar as autarquias para que os mercados locais mantenham portas abertas, dando resposta aos problemas dos pequenos produtores, e lembrou que a legislação de emergência é explícita a referir a possibilidade se manterem estes pontos de venda. “Fizemos inclusivamente uma pequena nota para que os mercados possam acontecer, garantindo a segurança de quem compra e de quem vende”.

Por outro lado, indicou a ministra, foi alterada a regulamentação das cadeias curtas, para aproximar consumidores e produtores. Câmaras municipais, juntas de freguesia, associações de produtores, cooperativas passam a poder intermediar na organização do comércio dos bens, em mercados ou outros pontos de entrega de cabazes alimentares.

A ministra da Agricultura revelou ainda que continua a aguardar autorização de Bruxelas, que será necessária para que mais produtos perecíveis possam ter apoios do Estado à retirado do mercado – designadamente, sendo remetidos depois para instituições particulares de solidariedade social que deles necessitem. Para já, os apoios já estão a ser concedidos a produtores de pequenos frutos.

O artigo foi publicado originalmente em Dinheiro Vivo.

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