Compras no supermercado: menos frequência, mais volume

Compras no supermercado: menos frequência, mais volume

De acordo com dados apurados pela Kantar para a Centromarca – Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca, o padrão de consumo em Portugal está a alterar-se. Nas semanas de 22 de Março a 5 de Abril, surgiu «uma nova rotina de compras, a de contingência», que «implica ir às compras o menor número de vezes possível e levar uma maior quantidade de produtos por cesta, por forma a evitar a repetição da compra num curto espaço de tempo».

Segundo a Kantar, o tipo de produtos comprados também sofreu alterações: «abrandou a compra de produtos de higiene e limpeza, e verificou-se um maior gasto com o abastecimento alimentar». Marta Santos, Manufacturers Sector Director da Kantar, realça que, «num momento em que os portugueses estão privados de tempos de lazer e de socialização no exterior, ganham um particular destaque os produtos para se confeccionarem sobremesas, assim como as bebidas alcoólicas e a alimentação congelada, desde a carne às refeições prontas».

Os dados recolhidos também indicam que «a maioria dos portugueses não planeia alterar a quantidade de produtos que compra, afirmando mesmo manter o número habitual ou não comprar produtos que antes não planeava fazer». É de assinalar «a intenção do aumento da procura acima da média em algumas categorias, como os produtos para a limpeza das mãos, alimentos em conserva, fruta fresca, vegetais, massa, arroz, leite, pão, carne e peixe congelados e também café e chá».

Numa altura em que os dados revelam que os portugueses estão cada vez mais preocupados com as consequências da Covid-19 – sobretudo «o impacto negativo na economia, o possível colapso da segurança social e a perda de emprego» –, os consumidores dizem planear uma redução da compra em produtos como «doces, bolos, bolachas e bebidas com álcool», sendo também de esperar «uma diminuição na procura, nesta fase», também para «as batatas, os snacks e os frutos secos, produtos de hidratação corporal/cremes de beleza, maquilhagem e fragrâncias». Os dados da Kantar referem ainda que, «até 20 de Março, 10% dos portugueses já afirmava estar a comprar mais na Internet» e que existe «uma intenção de aumento de compra por parte de 17%, quando se fala em produtos alimentares».

«O aumento do número de refeições tem implicações nos produtos escolhidos, na atenção que dão às mesmas, até como contributo para os seus momentos de descontração e lazer em família. Ao mesmo tempo, a vontade de ir às compras atenua-se com a crescente preocupação sentida com o evoluir da pandemia», afirma Pedro Pimentel, director-geral da Centromarca. «Esta vai ser uma Páscoa atípica, por todos os motivos. Em época de isolamento, os portugueses vão comprar menos e há segmentos de mercado, tradicionalmente fortes nesta época, que sofrerão um fortíssimo impacto. Chocolates, produtos de padaria e confeitaria, vinhos e bebidas espirituosas ou cosmética vão sentir os efeitos desta crise», conclui Pedro Pimentel.

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O artigo foi publicado originalmente em Revista Frutas Legumes e Flores.

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