Uma cobertura têxtil desenvolvida por investigadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, aumentou a produção de morangos até 3,56 vezes em testes de campo em estufa, sem efeitos negativos identificados na saúde das plantas.
A tecnologia, designada Plant Armor, foi concebida para proteger os morangueiros de insetos, permitindo ao mesmo tempo a passagem de luz solar, chuva e ar.
O tecido é colocado diretamente sobre as plantas e funciona como uma barreira física contra insetos. De acordo com os investigadores, a estrutura tridimensional impede que as pragas cheguem às plantas, enquanto o material em camadas mantém condições necessárias ao desenvolvimento das culturas.
Segundo a equipa, o tecido não reduziu a disponibilidade de luz nem afetou negativamente a humidade relativa.
Gabriel Olawuyi, assistente de investigação de pós-graduação na Universidade Estadual da Carolina do Norte e principal autor do artigo, explicou que a equipa esperava inicialmente que o tecido, por parecer opaco, pudesse favorecer o crescimento vegetativo em detrimento da frutificação. “No entanto, descobrimos que o tecido não impediu o acesso à luz e a produção de frutos aumentou significativamente”, afirmou.
Os investigadores observaram ainda que a cobertura criou um efeito de aquecimento constante ao longo de três estações de crescimento. De acordo com Gabriel Olawuyi, esse calor adicional ajudou as plantas cobertas a atingir a fase de frutificação mais cedo do que as plantas cultivadas sem o tecido.
“As plantas precisam de uma certa quantidade de calor acumulado, calculado em ‘graus-dia de crescimento’, para progredir pelas fases de desenvolvimento, incluindo a frutificação. A nossa cobertura vegetal comprovou melhorar esse processo”, referiu o investigador. E continua: “as plantas estavam numa condição em que recebiam o calor necessário para passar por cada fase fenológica até à produção de forma ideal, e produziram muito mais do que as plantas descobertas”.
Além do aumento de produção, os investigadores apontam a possibilidade de a cobertura reduzir a necessidade de pesticidas convencionais, ao impedir fisicamente que os insetos se alimentem das plantas. Os investigadores referem também que a tecnologia poderá ajudar a reduzir o consumo de água na produção de morangos, embora não detalhe os resultados associados a esse parâmetro.
A tecnologia teve origem em investigação ligada a têxteis militares. O trabalho começou com o objetivo de desenvolver materiais mais resistentes a picadas de mosquito e melhorar o conforto de soldados que usam coletes à prova de balas, antes de ser adaptado à agricultura.
“O caminho para a Plant Armor começou com a tentativa de criar um tecido para o peito dos soldados, a fim de tornar os coletes à prova de balas mais confortáveis”, afirmou R. Michael Roe, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte e coautor do estudo. E continua: “então, através de tentativas e erros, chegámos a um produto que poderia triplicar a produção das explorações de morango aqui na Carolina do Norte.”
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































