Certificação favorece a economia da floresta

Certificação favorece a economia da floresta

A valorização dos produtos provenientes de florestas certificadas é fundamental para a adesão de proprietários e produtores florestais.

Um sistema de certificação da floresta tem especial relevância num país como Portugal, onde o principal uso do solo é florestal (36% do território, ou seja, cerca de 3,2 milhões de hectares), segundo os mais recentes dados do 6.º Inventário Florestal Nacional. Dedicada à promoção da gestão florestal sustentável, a certificação garante o cumprimento de padrões éticos, ecológicos e sociais, com o objetivo de uma produção florestal simultaneamente mais sustentável e economicamente competitiva.

Com mais de 50 esquemas nacionais reconhecidos e cerca de 750 mil proprietários florestais certificados globalmente, num total de 325 milhões de hectares de floresta certificada, o Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFCTM) é o maior sistema de certificação florestal mundial. Em Portugal, um dos países fundadores, o PEFCTM conta mais de 2 500 proprietários e gestores florestais registados, cobrindo cerca de 300 mil hectares de floresta certificada.

Num balanço da atividade do PEFC-Portugal, no momento em que decorre o seu quinto processo de revisão, a organização reconhece a necessidade de mediatizar as vantagens da certificação que, atualmente, abrange apenas cerca de 8% da floresta nacional. Mas não é apenas na gestão florestal sustentável que se estende a ação das entidades certificadoras, pois estas também garantem a rastreabilidade da origem até ao consumidor final, dos produtos lenhosos e não lenhosos de base florestal certificada. É o que acontece com os produtos que exibem o rótulo PEFCTM.

Mais-valias no preço da madeira

A valorização dos produtos provenientes de florestas certificadas é fundamental para a adesão de proprietários e produtores florestais, como explicam os agentes do setor florestal. Na experiência de Luís Roxo, coordenador da CERNA Portugal, “a certificação florestal e o compromisso com o PEFCTM traz-nos mais valias, nomeadamente no preço da madeira, e tem também vantagens tanto ao nível dos apoios estatais e comunitários, como até de apoios diretos da indústria”.

O responsável daquela empresa de consultoria, que atua na área da certificação florestal, assinala, a propósito, o incentivo monetário que a indústria do papel oferece pela madeira certificada proveniente de florestas de produção de eucalipto.

A boa experiência é partilhada por Joana Mendes Godinho, da Associação Interprofissional da Floresta do Oeste: “Houve aumento exponencial da área certificada, entre 2018 e 2019, porque o proprietário viu a sua madeira valorizada, e porque houve um esforço de toda a cadeia até à fábrica para trazer algum benefício ao proprietário florestal.”

Importante vertente ambiental

Em 2019, 73% das vendas realizadas no âmbito da área florestal certificada pelo Grupo CERTIBEI, criado pela Associação de Produtores Florestais da Beira Interior, eram produtos certificados, incluindo atividade cinegética, madeira, cortiça e pinha. Susana Mestre, responsável pelo acompanhamento técnico do Grupo, considera que na última década a certificação trouxe novas oportunidades de mercado e otimização da gestão. Mas também sublinha “o aumento da responsabilidade social, através da criação de emprego, melhoria das condições de segurança e saúde no trabalho, envolvimento com as comunidades locais, qualificação dos profissionais que atuam na floresta, e maior sensibilidade com as questões ambientais”.

A vertente ambiental é também destacada por Pedro Pacheco Marques, coordenador do grupo da CertiSADO, que tem 23 600 hectares de floresta certificada, sobretudo montado de sobro e pinhal manso, e áreas de alto valor ecológico. “Os nossos membros são muito sensíveis às questões de conservação e preservação. No entanto, os proprietários só aderem aos sistemas de certificação se tiverem vantagens competitivas ou económicas, pelo que será necessário valorizar cada vez mais os produtos provenientes de florestas certificadas”, refere.

Para obter mais informação sobre as atividades do PEFC-Portugal siga o www.pefc.pt.


O artigo foi publicado originalmente em Produtores Florestais.

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