CAP propõe programas de compensação e de investigação contra declínio do montado

CAP propõe programas de compensação e de investigação contra declínio do montado

[Fonte: Diário de Notícias]

Grândola, Setúbal, 17 abr 2019 (Lusa) — A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alertou hoje para a necessidade de medidas contra o declínio do montado e propôs programas de compensação dos serviços deste ecossistema e de investigação e experimentação da sua gestão.

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, realçou que a importância dos montados, sobreirais e azinhais “é grande” do ponto de vista produtivo, mas também ao nível da biodiversidade e como “primeira linha de contenção do avanço da desertificação”.

Num debate em Grândola sobre o montado, em cujo encerramento esteve presente o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o mesmo responsável lembrou que os cientistas já avisaram que “o deserto vem aí” e que isso dará “origem a toda uma reação em cadeia de diminuição do número de árvores” e de erosão, que tem de ser combatida.

Como o montado é um ecossistema que envolve a ação e a presença do homem, “é absolutamente necessário criar condições” para “apoiar aqueles que gerem os montados, os sobreirais e os azinhais”, defendeu o presidente da CAP.

O representante dos agricultores sugeriu que deve ser criado “um programa de compensação” aos produtores florestais, “através do pagamento dos serviços do ecossistema dos montados, dos sobreirais e dos azinhais”.

Este seria o “primeiro programa português expressivo de compensação/pagamento de serviços do ecossistema, suportado pelo Fundo Ambiental”, defendeu, argumentando que esta seria “uma forma de devolver ao mundo rural uma parte das taxas ambientais que suporta”.

O presidente da CAP, perante Marcelo Rebelo de Sousa, propôs também a criação e respetiva dotação financeira de “um programa específico de investigação e experimentação da gestão dos montados, sobreirais e azinhais”.

Esta iniciativa teria “uma particular expressão na superação dos problemas de natureza fitossanitária e de adaptação às alterações climáticas”, assinalou.

“Um programa assim é, seguramente, longo e demorado, mas, na floresta, em particular na nossa floresta, a única coisa que está a ser rápida é o seu declínio”, alertou.

Numa visita à serra de Grândola, para mostrar uma área com montado em declínio, o presidente da associação de agricultores do concelho, Luís Dias, explicou ao Presidente da República que “o montado de sobro é um setor fundamental”, mas “nos últimos anos”, tem-se assistido a “uma degradação considerável da sua vitalidade”.

Marcelo Rebelo de Sousa elogiou os dois programas propostos pela CAP e destacou que o combate contra o declínio do montado deve ser uma aposta nacional.

“Não pode ser uma causa perdida, era a coisa mais estúpida do mundo que, em relação a este ecossistema que é tão tipicamente nosso e onde somos o que há de melhor no quadro europeu e porventura mundial, nós perdêssemos essa oportunidade que é nossa. Era um contrassenso. Não haverá esse contrassenso”, nem “essa estupidez”, afiançou.

Comente este artigo
Anterior IFAP: Montante máximo dos auxílios de minimis no sector agrícola é de 20 mil euros
Próximo Já conhece o Manual de Rotulagem de Produtos Fitofarmacêuticos?

Artigos relacionados

Nacional

Leite: sem justiça não haverá paz nem futuro!

[Fonte: Jornal de Notícias]
“Preço justo para a produção de leite” é um grito que repetimos há 10 anos. Não queremos subsídios, queremos um preço capaz de cobrir os custos de produção, pagar o trabalho e o investimento. Para isso surgiu na Europa o “Leite justo”. […]

Últimas

Acção informativa ensina como certificar, instalar e manter povoamentos de eucalipto – 31 de Março 2017 – Santiago do Cacém

Acção de informação destinada a proprietários de Santiago do Cacém, que acontece na próxima sexta-feira, 31 de Março, na ADAL (Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejano) já tem o seu programa fechado.

Às 9 horas, Francisco Goes, coordenador do Projecto Melhor Eucalipto, fará uma apresentação sobre o projecto. […]

Cotações ES

Se frenan los aumentos en las cotizaciones de los corderos

[Fonte: Agropopular – Cotações]

La semana finalizó con repeticiones generalizadas en todos los pesos y categorías de los corderos, tras el optimismo que asomó la pasada semana. Como se recogió en la última mesa de precios de la Lonja de Extremadura donde las cotizaciones repitieron oscilando en una horquilla que va desde 2,44/2,61 euros por kilo vivo hasta 3,13/3,53 euros para los animales de menos peso. […]