Câmara de Santarém continua com pouco peso nos órgãos sociais do CNEMA

Câmara de Santarém continua com pouco peso nos órgãos sociais do CNEMA

Município foi convidado pela CAP a indicar apenas um nome para o conselho de administração, tendo sido nomeado o presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves.

O executivo da Câmara de Santarém aprovou a nomeação do seu presidente, Ricardo Gonçalves (PSD), para integrar o novo conselho de administração do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), com efeitos a Dezembro de 2019.

A decisão foi tomada na última reunião de câmara de Maio mas não foi pacífica, já que os quatro vereadores do PS votaram contra, por entenderem que o município devia ter mais representatividade nos órgãos sociais do CNEMA. Perante o empate de votos – quatro a favor do PSD e quatro contra do PS – teve de ser a vice-presidente da autarquia, Inês Barroso (PSD), a usar o voto de qualidade para desempatar. Ricardo Gonçalves não pôde participar na votação por ser parte interessada.

Recorde-se que a Câmara de Santarém é a segunda maior accionista do parque de exposições onde decorre a Feira Nacional de Agricultura, com cerca de 20% do capital social, e noutros tempos já teve mais elementos nos órgãos da sociedade. A CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal é a maior accionista do CNEMA, com mais de metade do capital social, sendo dona e senhora da gestão desse complexo desde a sua criação, em 1994. O presidente do conselho de administração do CNEMA é Eduardo Oliveira e Sousa e o administrador executivo é Luís Mira, ambos dirigentes de topo da CAP.

Durante o debate desse ponto, o vereador socialista Rui Barreiro referiu que “é a primeira vez na história do CNEMA” que a autarquia só tem um elemento nos órgãos sociais da sociedade que gere o parque de exposições da cidade, embora tal não corresponda à verdade já que no anterior mandato também só estava Ricardo Gonçalves no conselho de administração.

Antes, Ricardo Gonçalves tinha explicado que o vereador Nuno Serra (PSD) integra o novo conselho de administração do CNEMA, mas a convite da CAP e não por indicação do município. O mesmo se passa com um ex-vereador da câmara, o social-democrata Ramiro Matos, convidado a presidir à assembleia-geral da sociedade, ocupando um lugar que habitualmente era da Confagri (Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal).

Confagri afastada dos órgãos sociais

Aliás, o processo de composição dos novos órgãos sociais do CNEMA ficou marcado pela decisão da CAP em afastar a Confagri da administração do CNEMA eleita para novo mandato em assembleia-geral realizada em 10 de Dezembro de 2019. A decisão de afastar a Confagri dos órgãos sociais do CNEMA – que era um dos principais parceiros da CAP e também fundador da instituição – prendeu-se com divergências relacionadas com uma denúncia que a Confagri terá feito ao Ministério da Agricultura relacionada com um programa comparticipado de “Aconselhamento Agrícola”, que a CAP estaria a fazer pelo telefone contrariando as boas práticas.

Tal como O MIRANTE já tinha noticiado, a denúncia produziu vários efeitos e um deles foi o corte de relações entre as duas confederações mais importantes do associativismo agrícola. O antigo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, esteve envolvido no diferendo, uma vez que o seu chefe de gabinete, depois de receber a denúncia, a primeira coisa que fez foi enviar cópia da mesma para a direcção da CAP.

O artigo foi publicado originalmente em O Mirante.

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