Cabo Verde compra 330 mil pés de morangos em Espanha para diversificar produção

Cabo Verde compra 330 mil pés de morangos em Espanha para diversificar produção

Cabo Verde comprou 330 mil pés de seis variedades de morangos em Espanha, por 81 mil euros, que são mais resistentes ao clima do país e vão chegar a todas as ilhas para produção ao longo do ano.

“Nós temos condições para produção de bastante morango no nosso país, mas havia necessidade de melhorar todo o capital genético das plantas”, disse o ministro da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde, Gilberto Silva, durante uma apresentação das espécies que acabam de chegar ao país.

As novas plantas de morango chegaram ao país com raiz nua, ou seja sem terra, e conservadas a uma temperatura de dois graus centígrados negativos, e boa parte vai ficar durante dois anos em contentores para continuar a fazer a sua multiplicação.

As seis novas variedades foram compradas no Viveiro Califórnia, em Espanha, um dos maiores da Europa e que produz e distribui este tipo de plantas para muitos países do mundo, em praticamente todos os continentes.

Sendo mais resistentes à seca e às mudanças climáticas, o objetivo é melhorar o capital genético, modernizar e estimular o desenvolvimento da fruticultura nacional e diversificar a produção, segundo o Governo.

Neste momento, o Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) já iniciou o enraizamento das plantas no Centro de Hidroponia em Achada São Filipe, na Praia, e os agricultores também o poderão fazer, desde que tenham condições de segurança.

Cada pé de morango já enraizado vai ser vendido aos agricultores por 10 escudos cabo-verdianos (9 cêntimos do euro), muito menos do que o atual preço no mercado, que varia entre 40 a 50 escudos (36 cêntimos e 45 cêntimos).

“Há aqui um esforço muito grande por parte do Estado no sentido de que os agricultores tenham acesso a plantas de qualidade”, salientou o ministro, avançando que as plantas custaram mais de 9 milhões de escudos (81 mil euros) aos cofres do Estado.

Segundo o ministro, as plantas vão ser distribuídas a todas as ilhas por via marítima e aérea, numa logística já criada para o efeito, mas que exige alguma tecnicidade.

Assim, prosseguiu o membro do Governo, o INIDA já vem realizando formações aos agricultores para poderem lidar com as novas plantas, no que diz respeito a pragas e doenças típicas deste fruto vermelho.

O governante garantiu que “todos os agricultores cabo-verdianos vão poder ter acesso às plantas de morango para produção” e disse acreditar que estas variedades vão se adaptar “muito bem” ao clima do país.

“Por isso, uma das vantagens será a produção de plantas durante todo o ano, com vantagens não só para a dieta dos cabo-verdianos, mas também para o rendimento dos agricultores”, apontou o ministro.

“Morango é uma fruta bastante apreciada no nosso país, tem um preço no mercado que também ajuda imenso no rendimento dos agricultores, por conseguinte estamos a considerar que se trata de uma boa aposta”, completou.

Questionado sobre o porquê da escolha do morango, que não é um produto essencial na dieta do cabo-verdiano e o seu preço não é acessível a todos os bolsos, o ministro da Agricultura afirmou que Cabo Verde tem um clima capaz de produzir este fruto com melhor qualidade do que o importado, que vai também contribuir para a diversificação da dieta alimentar e ajudar a reforçar a segurança sanitária e alimentar no país.

A cada dois anos o país vai passar a reforçar a qualidade genética destas plantas, com importação de outras, disse o ministro, referindo que isso também vai aumentar a sua capacidade produtiva.

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