O presidente da Vinisicó lamentou hoje que não exista uma estratégia comum de promoção dos vinhos da sub-região Terras de Sicó, situada na região Centro, apesar dos mais de 80 prémios conquistados nos últimos anos.
“Eu acho que não falta estratégia, não existe é nada pensado, o que existe são coisas avulso”, salientou à agência Lusa o enólogo Gonçalo Moura da Costa, que há quatro anos dirige aquela associação, criada em 1993 e sediada em Penela, no distrito de Coimbra.
A Vinisicó – Associação dos Vitivinicultores das Terras de Sicó, abrange os municípios de Penela, Condeixa-a-Nova e Soure, do distrito de Coimbra, Ansião, Figueiró dos Vinhos e Alvaiázere, do distrito de Leiria, integrada na região Beira Atlântico, além das freguesias de Lamas, no concelho Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, Abiul, Vila Cã, Redinha e Pelariga, no concelho de Pombal, e Aguda, concelho de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria.
“Apesar destes anos todos, ainda não conseguimos unir os municípios em torno deste produto, como acontece em qualquer parte do mundo onde existe vinho com região demarcada”, criticou o enólogo Gonçalo Moura da Costa.
Lamentando a ausência “completa” de qualquer estratégia de promoção, o dirigente disse que a divulgação tem estado a cargo dos produtores, que “umas vezes vão todos para um lado e outras vezes todos para o outro”, porque “ninguém pensa o território como um todo”.
Apesar da visibilidade “cada vez maior” dos vinhos Terras de Sicó, que na última década conquistaram mais de 80 medalhas, quase todas de ouro, em concursos europeus e mundiais, o presidente da Vinisicó alertou que “o território necessita efetivamente de se agregar e isso não acontece”.
Através dos vinhos, “Condeixa-a-Nova pode continuar a defender o legado romano, Alvaiázere o chícharo, Miranda do Corvo a beleza natural e a chanfana, e Penela as nozes”, exemplificou Gonçalo Moura da Costa, reiterando “a falta de uma visão agregadora” para promover os territórios daquela sub-região.
“Faço imensas reuniões com as autarquias, ou com os diferentes apoios locais, e as respostas são sempre, ‘vamos lá, agora é que vai, agora é que vai’, mas não sai do sítio. Vamos estar sempre nisto, enquanto não houver alguém que tenha o arrojo de dizer que vai ser de outra forma”, frisou.
O enólogo sustentou que o vinho “não subtrai nada aos territórios, apenas adiciona um fator comum, que falta a estes territórios”.
“Quando conseguirmos que este território se venda como um todo, nós ganhamos. Estivemos recentemente na BTL, em Lisboa, e não apareceu nenhuma forma de vender as Terras de Sicó com unicidade. Até nos dividimos na forma como estávamos, com uns produtores nos stands da Comunidade Intermunicipal de Coimbra e outros na de Leiria”.
A Vinisicó, que nasceu no ano seguinte à criação da subregião Terras de Sicó (1992), começou com seis produtores de vinho certificado e atualmente contabiliza 16, abrangendo uma área de 40 hectares de vinha, que geram uma produção média anual na ordem dos 100 mil litros de tinto e 40 a 60 mil litros de branco.
“Nos últimos anos tivemos um aumento de produtores de vinho certificado, essencialmente da freguesia de Podentes, no concelho de Penela, que regista o maior número de produtores certificados”, salientou.
No entanto, 60% do vinho certificado é produzido na freguesia de Lamas, no concelho de Miranda do Corvo.
A certificação, aconselhou Gonçalo Moura da Costa, é a garantia de produção de acordo com os padrões legais, “que fazem com que a tradição experienciológica seja favorecida e a única forma de se vender o território”.
As uvas caracterizam-se por uma maturação lenta, em vinhas encaixadas entre a Serra da Lousã e o maciço calcário de Sicó, com invernos difíceis, verões quentes e influência da brisa atlântica, que dão origem a “vinhos frescos, gastronómicos e aromáticos, que diferenciam realmente das outras regiões”.
Dos concelhos da sub-região Terras de Sicó, apenas Soure ainda não possui nenhum vinho certificado, apesar de ter grandes produtores, mas o presidente da Vinisicó acalenta esperança de que em breve isso deixe de acontecer.














































