Alimentação animal e sustentabilidade: somos parte da solução

Olhando para o passado recente, conseguimos perceber o que temos de fazer no curto e médio prazo. Se já sabíamos a importância da cooperação, da inovação e da investigação e desenvolvimento para o nosso futuro coletivo, a pandemia Covid-19 demonstra-nos que só podemos resistir, enquanto espécie e sociedade, se trabalharmos em conjunto.

É o que a Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA), tal como a sua Federação Europeia (FEFAC), têm vindo a defender e a implementar no que respeita à sustentabilidade, não só na componente ambiental, a mais mediática, mas, também, na económica e social. Porque só com empresas geradoras de emprego e riqueza podemos ser verdadeiramente sustentáveis.

Os desafios climáticos são uma realidade indesmentível. Consciente do seu papel, o setor tem uma visão clara que orienta o seu caminho até 2030 e à qual não é alheia a mitigação dos impactes ambientais. Pelo contrário. A sustentabilidade ambiental, tal como a segurança alimentar e a promoção da saúde e bem-estar animal, são pilares que sustentam a nossa “Visão 2030”.
Em Portugal, a tradicional época de ‘rentrée’ foi o mote para dar corpo à nossa visão de futuro.
A 17 de setembro, nas “IX Jornadas da Alimentação Animal”, abrimos um ciclo de reflexões e debate sobre as melhores abordagens para a implementação da estratégia “Do Prado ao Prato”. Ficámos a conhecer avanços científicos relevantes na alimentação de precisão e na eficiência da utilização de nutrientes, que permitem a diminuição de emissões de GEE [gases com efeito de estufa] na pecuária, ou a medição da pegada ambiental. Também o consumo de soja produzida de um modo responsável, que aumenta paulatinamente em Portugal, tem vindo a contribuir significativamente para a sustentabilidade ambiental.
Estes exemplos demonstram, contrariamente ao que se tem afirmado, que não é a prática planeada da atividade pecuária que destrói a natureza e provoca doenças, como a Covid-19, facto que a DG SANTE, entidade europeia responsável pela política de saúde e segurança dos alimentos, já desmentiu, salientando os elevados níveis de biossegurança das explorações pecuárias na UE.
Por outro lado, a capacidade de adaptação do setor é não só cada vez mais promotora de um ambiente saudável e do desenvolvimento económico e social como um exemplo de resiliência e disponibilidade para trabalhar a favor de todos, sem ir contra ninguém.
Seguindo este princípio, no final de setembro, demos outro passo relevante em prol de um futuro sustentável: assinámos a Carta de Sustentabilidade da FEFAC 2030. São cinco grandes ambições – de entre as quais se destacam a de ‘Contribuir para a neutralidade carbónica da produção animal através da alimentação animal e a de valorizar o ambiente sócio-económico e a resiliência dos setores pecuário e da aquicultura’ – com 16 compromissos para cumprir até 2030. A IACA assumiu, nesta iniciativa, a implementação dos projetos FeedInov e SANAS.
O FeedInov, Laboratório Colaborativo – uma parceria de 19 entidades (empresas, investigação e universidades) – que estudará estratégias de alimentação inovadoras para uma produção animal sustentável –, está agora a entrar em plena fase de operação. O SANAS – Segurança Alimentar, Nutrição Animal e Sustentabilidade na Região do Alentejo vai identificar ingredientes alternativos e sustentáveis para a alimentação animal, ajudando as empresas a cumprir a estratégia “Do Prado ao Prato”.
A sustentabilidade ambiental não é uma dimensão autónoma da vida em sociedade. É dela parte integrante e pode ser alcançada, como as maiores conquistas da humanidade, quando trabalhamos a favor de um desígnio comum.  A transição para uma economia verde, a digitalização, a reindustrialização e definição de políticas públicas coerentes e ambiciosas, que fomentem a tão falada resiliência, são o caminho de sentido único.
Nesta perspetiva, ser parte da solução é a nossa visão de um futuro que já estamos a construir!
Jaime Piçarra Secretário-Geral da IACA – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais e coordenador dos assuntos de política agrícola da FEFAC, 01/10/2020

O artigo foi publicado originalmente em Vida Económica.

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