Agricultura. Pandemia agravou condições de vida de imigrantes no Alentejo

Agricultura. Pandemia agravou condições de vida de imigrantes no Alentejo

A pandemia e a instabilidade laboral estão a deixar muitos imigrantes, que trabalham os campos no Alentejo, na mendicidade. Alguns ocupam casas vazias, outros podem perder o local onde vivem.

A pandemia, a antecipação da apanha da azeitona e a exploração de empresas de prestação de serviços estão a deixar muitos imigrantes que trabalham os campos no Alentejo em condições aflitivas. Ao Público, Isaurindo de Oliveira, presidente da Cáritas Diocesana de Beja, comenta a instabilidade laboral e o facto de grande parte destes imigrantes que trabalham na agricultura ter contratos sazonais e receber entre 2,5 a 3,5 euros por hora.

Os contratos de trabalho, com referência ao salário mínimo, “são pagos à hora, noutros [casos] à semana, à quinzena ou ao mês e, às vezes, com atrasos e irregularidades”, diz o presidente da Cáritas.

Em causa estão condições de vida por vezes degradantes que ficaram mais agravadas à conta da pandemia. Surge, assim, um fenómeno em Beja, e também noutros concelhos do Alentejo, com imigrantes abandonados a deambular pelas ruas, a quem são devidos salários em atraso. Pedem auxílio na rua e a organizações de apoio social como a Cáritas. Alguns deles começam a ocupar casas abandonadas na periferia da cidade, outros correm o risco de perder as casas onde vivem por não conseguirem pagar a renda.

Isaurindo de Oliveira comenta o número “muito grande” de pessoas que apareceram de repente “com problemas alimentares”. A Cártias Diocesana de Beja presta atendimento a imigrantes de 27 nacionalidades diferentes. A Associação Solidariedade Imigrante (Solim), que também presta apoio a cidadãos estrangeiros, refere que naquela zona do país possam estar 30 mil imigrantes, enquanto o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras avança que no distrito de Beja existem cerca de 12 mil imigrantes. Não é certo quantos chegam de forma ilegal ao sul do país.

O jornal Público tentou contactar o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e o das Infra-Estruturas e da Habitação sobre o assunto, mas não obteve respostas. Já o Ministério da Administração Interna afirmou que o SEF viu ser reduzida a capacidade de atendimento devido à pandemia, mas que “foram tomadas medidas de forma a garantir inequivocamente os direitos de todos os cidadãos estrangeiros” com processos pendentes naquele organismo.

O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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