Agricultores lesados pelos javalis manifestam-se em Lisboa

Agricultores lesados pelos javalis manifestam-se em Lisboa

A partir das 15h00, delegações de agricultores da região centro vão manifestar-se à porta do Ministério da Agricultura, em Lisboa. Querem ser compensados pelos estragos causados pelo que designam de “praga de javalis”. O movimento tem o apoio da CNA- Confederação Nacional de Agricultura.

Comem o milho, os cereais, as vinhas e desbastam tudo o que encontrarem pela frente, “como se de um arado se tratasse”, reclama o agricultor do concelho de Arganil, Luís Lopes, 62 anos.

Na Loja do Camponês, em Ramalde de Pombeiro, São Martinho da Cortiça, o assunto dos javalis domina as conversas do dia. “Destroem tudo, campos cheios de aveia, estavam todos amassados. O campo de milho que mal tinha espiga derreteram-no todo, um batatal, nem uma lá ficou para experimentar a batata nova, isto é uma tragédia, ainda ontem vi o macho e a fêmea com uma ninhada, em pleno dia”, conta o proprietário da loja de produtos agrícolas que é também ele agricultor. “Quem ir ver como está a minha propriedade?” questiona Rui Manuel, 57 anos, guiando-nos pelo caminho que leva a uma plantação de milho, agora destruída pelos javalis. “Está tudo despedaçado, não tem ponta por onde se pegue, era quase noite e eles aqui”, recorda.

Também o agricultor Adriano Carreira, 72 anos, ameaça deixar os terrenos ao abandono. “Não vou andar a cavar para não ter lá nada, depois não venham dizer que não corto as ervas”, refere, corroborado por Luís Lopes. “Está tudo abandonado, só semeio ao pé de casa, era levar os javalis a Lisboa, lá ao patrão”, ironiza, indignado.

Rui Manuel está de braços cruzados frente aos campos desfeitos. Gostava que houvesse mais apoios e não só. “Eram mais apoios e começar a abate-los, não temos onde nos resguardar da praga, era fazer várias batidas e várias vezes ao ano e em vários sítios, mas não nos ouvem, diz, contestando o decreto lei n.º 202/2004, onde se lê que “em terrenos cinegéticos não ordenados, a caça a esta espécie só pode ser permitida de batida e de montaria e apenas nos meses de Outubro a Fevereiro e nos locais e nas condições estabelecidas por edital da DGRF – Direcção-Geral dos Recursos Florestais”.

Rui insiste que “ninguém semeia uma batata, nem semeia um grão de milhão e depois fica tudo ao abandono. Porque eles derretem as uvas todas, fazem a vindima, mesmo em sítios vedados”, alerta o agricultor.

Os javalis furam as vedações, não têm medo dos cães de guarda. Os agricultores não sabem o que fazer para os afastar. “Levei um cão, eles comiam a comida do cão, e o cão não lhes fazia mal nenhum, eles não têm medo de nada”, conclui.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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