Agricultores defendem o regresso dos velhos mercados de rua

Agricultores defendem o regresso dos velhos mercados de rua

O presidente da Associação Distrital de Agricultores da Guarda (ADAG), António Machado, defendeu hoje o regresso dos mercados locais ao território da região, após a pandemia da covid-19, para dinamização do setor e valorização dos produtos endógenos.

Segundo o presidente da ADAG, no futuro, as relações dos produtores com os mercados de proximidade devem ser reforçadas, e o setor agrícola pode “ganhar com isso”, desde que os produtos sejam valorizados e disponibilizados localmente aos consumidores.

Por exemplo no caso da fileira do queijo de ovelha produzido na região da Serra da Estrela, António Machado disse que “era preciso que os produtores começassem a produzir [queijo] por eles próprios”, sem ser com a finalidade de venderem o leite para as indústrias e “a preços baixos”.

“Muitos dos pastores deixaram de produzir queijo”, apontou, admitindo que voltariam a fazê-lo se a comercialização estivesse assegurada localmente.

“Um dos passos que o Governo devia dar era [nós, os agricultores] continuarmos a produzir e a vender nas feiras diretamente”, disse hoje António Machado à Lusa.

O responsável lembrou que “há uns anos” o Governo obrigou “as pessoas a coletarem-se nas Finanças, mesmo que fosse só para produzirem e para venderem um ramo de salsa nas feiras”.

“Isso não podia ser. Não era esse o caminho a seguir para se ajudar a desenvolver o país”, admite.

Na opinião de António Machado, o regresso dos mercados e das feiras de produtos locais às sedes dos municípios e às localidades de maiores dimensões permitiria não só dinamizar a agricultura de cariz familiar, como criar bases para que fosse possível “começar de novo a habitar o interior do país”.

“Depois desta crise, eu penso que nada vai ficar igual. Vai haver uma transformação e as pessoas vão ter que acordar”, vaticina, referindo que a retoma da realização dos mercados e das feiras devia envolver o Governo e também as autarquias locais.

“A nossa área é um minifúndio muito pequenino e não se pode produzir em quantidade. Nós podemos produzir com qualidade. Isso é uma verdade. Mas não podemos produzir em quantidade. E só se pode concorrer com os países europeus em qualidade, porque em quantidade nós não conseguimos”, referiu.

O presidente da ADAG disse à Lusa que na região são produzidos muitos produtos de qualidade, como vinho, queijo, carne, azeite e frutos secos, entre outros, que seriam facilmente escoados em mercados locais.

A ADAG também reclama ajudas do Governo para os agricultores da região que estão a ter dificuldades devido às medidas de contingência da pandemia de covid-19.

O artigo foi publicado originalmente em Jornal do Fundão.

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