Agricultores de Coimbra exigem ao Governo pagamento dos prejuízos causados pelos javalis

Agricultores de Coimbra exigem ao Governo pagamento dos prejuízos causados pelos javalis

Isménio Oliveira, coordenador da Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO), disse à agência Lusa que existem dezenas de agricultores lesados nos concelhos de Soure, Condeixa-a-Nova, Penela, Miranda do Corvo e Lousã, com vinhas e terras de cultivo completamente devastadas.

“No Rabaçal (Penela), um hectare de estufas de produção de caracóis está inoperacional desde janeiro, com a produção suspensa, depois de um ataque de javalis que causou largos milhares de euros de prejuízo”, revelou.

Na manhã de hoje, numa conferência de imprensa em Penela, a ADACO e uma comissão de agricultores lesados de Penela, Miranda do Corvo e Condeixa-a-Nova exigiram medidas ao Ministério da Agricultura, que passam pelo levantamento e pagamento dos prejuízos, alterações à lei para que o Governo passe a assumir as indemnizações aos agricultores e controlo da densidade da população de javalis e veados.

“Existe uma lei que obriga as zonas de caça associativa a assumir os prejuízos aos agricultores, mas, como elas não têm essa capacidade, a lei é inoperacional e ninguém resolve o problema da compensação pelos estragos causados”, frisou Isménio Oliveira.

Para o dia 31, está agendada uma concentração de lesados dos distritos de Coimbra, Viseu e Leiria, em Lisboa, frente ao Ministério da Agricultura, para entregarem uma exposição e reclamarem “o levantamento e pagamento dos prejuízos aos agricultores afetados”.

Desde o início do ano, a ADACO já realizou quatro reuniões com lesados dos ataques de javalis e veados, a primeira em Penela, em janeiro, que reuniu três centenas de agricultores.

No início de maio, a pedido da associação, o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) promoveu uma reunião também no concelho de Penela, em que estiveram presentes agricultores e responsáveis das zonas de caça associativa.

Segundo Isménio Oliveira, na reunião ficou decidido que o ICNF iria reunir com os responsáveis das zonas de caça associativa e Direção-Geral de Veterinária para se encontrar uma solução para que a carne de javalis e veados abatidos pudesse ser comercializada em restaurantes.

“Até não hoje não soubemos mais nada”, queixou-se o coordenador da ADACO.

No início de abril, o Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural determinou a elaboração de um estudo para determinar a real dimensão e impacto do alegado aumento da população de javalis e dos eventuais prejuízos daí decorrentes.

“Estamos muito céticos quanto a esse estudo, mas o que queremos é que sejam tomadas medidas”, sublinhou Isménio Oliveira.

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O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24 .

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