Adubação promove o melhor crescimento das plantas

Adubação promove o melhor crescimento das plantas

A adubação tem como objetivo satisfazer as necessidades de nutrientes das plantas, para maximizar a produção de madeira. Em Portugal, a sua aplicação é necessária, já que a generalidade dos solos de uso florestal não suprime as necessidades inerentes a momentos-chave do crescimento da planta.

A gestão nutricional cuidada ao longo das rotações do eucaliptal, através da adubação continuada dos povoamentos, ajuda a manter a capacidade produtiva dos solos e a sua riqueza natural, podendo até beneficiá-los com o aumento do teor de matéria orgânica e nutrientes associados a esta operação.

A planta entra em défice nutricional quando não obtém os nutrientes para crescer de forma adequada, apresentando, em casos mais graves, sintomas como coloração das folhas ou perda precoce da folhada da copa. Se o problema não for corrigido na altura certa, estes povoamentos produzem menor volume de madeira.

A melhor altura para adubar

O eucalipto tem dois momentos de maior exigência nutricional (azoto-N, fósforo-P, potássio-K e boro-B) durante o seu crescimento: na plantação e no pico de absorção dos nutrientes, o qual ocorre na fase de manutenção, habitualmente entre os dois e os cinco anos. Estas são as fases em que há maior probabilidade de o solo não ser capaz de fornecer nutrientes em quantidade adequada para as plantas, representando, assim, a maior oportunidade para adubar.

A primavera é a altura do ano mais indicada para a aplicação de adubos na manutenção, embora o outono também possa ser uma estação favorável, dependendo das condições climatéricas. De um modo geral, deve adubar-se nas regiões mais secas (Sul e interior) em março; nas regiões com clima intermédio (Sul e Centro litoral) de março a abril; e nas regiões mais chuvosas (Norte) entre abril e maio.

O eucalipto tem dois momentos de maior exigência nutricional durante o seu crescimento: na plantação e no pico de absorção dos nutrientes (na fase de manutenção), entre os dois e os cinco anos.

Refira-se que estes meses são apenas indicativos, pois deverá sempre ser avaliado, em cada ano e local de adubação, a existência de condições adequadas para esta operação (ex: solo húmido, previsão de chuva após a adubação, inexistência de chuvas fortes).

Na altura de adubar é importante respeitar as distâncias de proteção às linhas de água e a outros locais sensíveis, bem como as indicações fornecidas na ficha de segurança dos produtos. E devem utilizar-se sempre os equipamentos de proteção individual recomendados.

Como fazer a adubação na fase de instalação

A adubação é fundamental no momento da plantação, de forma a proporcionar bom enraizamento e crescimento inicial das plantas, devendo ser feita de acordo com uma das seguintes opções:

Em regiões mais chuvosas (maior produtividade)

  • É recomendável efetuar uma calagem do terreno, pelo menos seis meses antes da plantação. Aplicar 1,5 t/ha em área total de um calcário calcítico (ou dolomítico), com cerca de 30% de cálcio (Ca), incorporando superficialmente o produto no terreno ou não.
  • Uma dose de 30 g/planta de adubo de libertação controlada, tipo 14-12-9 +0,1B (por ex: da marca Agroblen) ou equivalente, que deve ser aplicado manualmente na cova/covacho da plantação. Este adubo, com nutrientes inteiramente capsulados e no máximo 0,1% de boro na sua composição, atua durante 8-9 meses.
  • Uma dose de 100 a 150 g/planta de Superfosfato 18 (100g/planta no Sul do país e 150g/planta nas regiões Norte e Centro), aplicado de forma manual após a plantação num sulco intermitente de 60 centímetros ao longo da linha de plantação (30 cm de cada lado da planta) e depois coberto com 5 cm de terra. Para além de fornecer fósforo (P), a adubação fosfatada favorece o desenvolvimento radicular das plantas, diminuindo o risco de tombamentos. Nas regiões do Sul, este pode ser substituído pelo uso de Superfosfato 42 ou 45, na dose de 40g/planta.

Em regiões menos chuvosas (menor produtividade)

  • Uma dose de 60 g/planta de adubo de libertação controlada, tipo 11-22-9 ou similar, totalmente revestido e com longevidade de oito a nove meses, que deve ser aplicado manualmente no fundo da cova de plantação.

Como fazer a adubação na fase de manutenção

A adubação de manutenção no eucaliptal visa suprir as necessidades nutricionais das plantas nos primeiros 4-5 anos de crescimento (após plantação ou em talhadia), potenciando um aumento de produtividade do povoamento. Para esta, consideram-se duas fases:

  • Aplicar um adubo rico em azoto (N) na primeira rotação. Esta primeira adubação (AD1) pode conter boro (B), ou, em alternativa, a aplicação boratada pode ser realizada em separado. Os adubos devem ser aplicados na projeção da copa, num raio de 50 cm a um metro, ou ao longo da linha de plantação, numa faixa de 50 cm a um metro de largura. A operação pode ser feita de forma manual ou mecânica, desde que respeite o local de aplicação indicado para a adubação.
  • Aplicar um adubo ternário do tipo 2-1-1 na segunda adubação da primeira rotação (AD2) e talhadias (AD1 e AD2), preferencialmente após seleção de varas. Na AD1 da talhadia, o adubo deve conter boro, mas também pode ser aplicado em separado. Estes adubos devem ser aplicados numa faixa de dois metros ao longo da linha de plantação, de forma manual ou mecânica.

O artigo foi publicado originalmente em Produtores Florestais.

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