A cochonilha-algodão na Vinha – Planococcus citri

A cochonilha-algodão na Vinha – Planococcus citri

A cochonilha-algodão instala-se em todos os órgãos da Vinha, verdes e lenhosos (troncos, varas, folhas e cachos). Muitas folhas atacadas secam e vão ficando suspensas no meio da vegetação ainda verde.

A melada produzida pelas cochonilhas dá um aspeto brilhante e pegajoso às folhas e aos cachos e atrai as formigas, (que apenas procuram alimentar-se dessa melada adocicada e não causam prejuízos à videira).

Sobre esta melada desenvolve-se um fungo negro, vulgarmente chamado fumagina, cobrindo varas, folhas e cachos, dificultando as funções de respiração e de elaboração, pelas folhas, de reservas de açúcares, aminoácidos e outros compostos, degradando as uvas e enfraquecendo a videira. As cochonilhas agrupam-se sob a casca dos troncos para passarem o Inverno.

BIOLOGIA E PREJUÍZOS CAUSADOS:

A cochonilha-algodão passa o inverno na forma de fêmea adulta, sob o ritidoma (casca) dos troncos e ramos das videiras (madeira velha). Também já tem sido encontrada junto ao colo de diversas ervas espontâneas nas vinhas.

Em maio – junho, as pequenas larvas das cochonilhas vão eclodindo debaixo do escudo que recobre o corpo das fêmeas e começam a invadir os gomos da videira, sobre os quais chegam a formar massas compactas. Colonizam de seguida os nós e entrenós dos pâmpanos, os pecíolos e as nervuras das folhas.

Pelo fim de julho, pode já observar-se a cochonilha nos cachos. Torna-se então evidente a produção de melada pelas cochonilhas, com o aparecimento de fumagina – fungo saprófita, de cor escura, que se desenvolve sobre a melada. As formigas que se encontram frequentemente sempre que há melada sobre as plantas, não causam qualquer prejuízo.

As cochonilhas provocam danos diretos ao sugarem grandes quantidades de seiva, enfraquecendo a planta e diminuindo o teor de açúcar das uvas. Por outro lado, conforme a humidade ambiente, a fumagina desenvolve-se sobre as varas, folhas e cachos, impedindo a função clorofilina das folhas e degradando os cachos. No ano seguinte, teremos varas mais curtas e fracas e diminuição da colheita, dado o enfraquecimento geral das videiras.

Trabalhos de investigação recentes vieram também mostrar que as cochonilhas são vetores do vírus do enrolamento.

VIGILÂNCIA E TRATAMENTO:

Durante o inverno devem procurar-se as colónias de cochonilha-algodão sob a casca das cepas, sobretudo nas zonas de união entre ramos secundários e o tronco principal. No início da vegetação, é necessário estar vigilante para detetar o aparecimento dos primeiros ataques nos gomos.

À medida que a primavera vai avançando, devem vigiar-se eventuais invasões da folhagem da videira, denunciadas pelo aparecimento de melada.

Devem ser tomadas as seguintes medidas:

  • Durante o período vegetativo, marcar as videiras afetadas;
  • No outono-inverno, proceder ao descasque das cepas onde se observe cochonilha-algodão ou os seus sintomas, de modo a expor as cochonilhas alojadas debaixo da casca (ritidoma) ao frio do inverno – que contribui para a sua destruição – e aos tratamentos fitossanitários;
  • Fazer tratamentos localizados à rebentação (estados C – D), molhando muito bem as videiras e utilizando uma quantidade de calda nunca inferior a 1500 litros por hectare;
  • Durante o verão, poderão ser feitos outros tratamentos, sempre limitados às áreas e cepas atacadas, sobretudo na época em que se dá a invasão da massa verde da folhagem. Esta invasão coincide aproximadamente com a segunda geração da traça da uva, pelo que, onde for necessário realizar o tratamento contra a traça, podem ser usados produtos anti-traça que combatam simultaneamente a cochonilha-algodão. O êxito do tratamento depende em boa parte de se atingirem muito bem as zonas de união entre varas e ramos, onde as cochonilhas se aglomeram.

O artigo foi publicado originalmente na Circular n.º 13 da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho.

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