“A campanha que tem existido contra o olival moderno não faz qualquer sentido e não tem fundamentação científica nenhuma”, afirma presidente da EDIA (C/SOM)

“A campanha que tem existido contra o olival moderno não faz qualquer sentido e não tem fundamentação científica nenhuma”, afirma presidente da EDIA (C/SOM)

No passado dia 9 de junho, BE, PCP, PEV e PAN apresentaram à Assembleia da República projetos de lei e de resolução com vista à regulamentação discriminatória do olival, sendo o Alqueva uma das zonas mais referenciadas. Todas as propostas foram chumbadas.

Em entrevista à Rádio Campanário, José Pedro Salema, presidente do Conselho de Administração da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, questionado sobre a posição da EDIA em relação a esta matéria, afirmou que a empresa “está do lado da ciência, por isso não tomamos partidos. Não queremos ver uma cultura valorizada ou destacada, mas também não queremos ver nenhuma cultura desvalorizada sem qualquer razão” e acredita que “a campanha que tem existido nos últimos tempos contra o olival moderno não faz qualquer sentido e não tem fundamentação científica nenhuma”.

O presidente da EDIA frisou que a oliveira “é talvez a espécie de utilização agrícola mais antiga da Península Ibérica e faz-se azeite na região do Alqueva há milénios. Portanto, estamos a falar de uma árvore completamente adaptada ao nosso clima e solo e o que fazemos atualmente no século XXI é que usamos o conhecimento e a técnica para potenciar o desenvolvimento da oliveira, tal como fazemos em toda a agricultura”.

“Hoje, o olival moderno no Alqueva utiliza água e com isso consegue rendimentos fantásticos. Depois consegue ser muito mecanizada, o que aumenta o rendimento de trabalho e isso é positivo, porque conseguimos gerar mais riqueza e mais produto na região”, afirma o dirigente.

José Pedro Salema não tem dúvidas que “o impacto que muitas vezes é apontado ao olival é o facto de ter transformado a paisagem”, mas garantiu que “foi a paisagem tipicamente de sequeiro e de muito baixo rendimento que quisemos mudar com o Projeto Alqueva”.

“O Alqueva foi intencional. Não podemos ficar surpreendidos com uma mudança que foi planeada e desejada. Este projeto foi sonhado pelos alentejanos e pelo país e por isso não se pode ficar surpreendido com estas mudanças, porque está a acontecer exatamente aquilo que nós queríamos que acontecesse”.

O dirigente referiu que as propostas para regulamentação discriminatória do olival “prejudica principalmente a imagem do setor, de forma que considero injusta” e enalteceu que “apontar o olival moderno como sendo uma atividade destrutiva do ambiente é falso. O que é danoso para o meio ambiente são as más práticas, que pode haver em qualquer atividade”.

“Por exemplo, eu posso deitar o lixo para a rua e ser um selvagem e fazer com que o espaço à minha volta esteja sujo. Ou posso pegar no lixo e fazer a reciclagem. É a mesma coisa se eu traduzir estas atitudes para a atividade agrícola e industrial. Para a prática da olivicultura eu tenho de usar os produtos que estão á disposição para tratar as doenças e controlar as pragas de forma responsável, de acordo com as normas que os técnicos ensinam, colocar a dosagem certa, nas condições meteorológicas adequadas, minimizando o uso de produtos tóxicos para o ambiente. Tudo isto chama-se proteção integrada e a esmagadora maioria dos agricultores em Alqueva estão neste modo de produção e têm obrigações muito rigorosas relativamente à produção de produtos e de respeito pelo meio ambiente”, referiu José Pedro Salema.

O presidente da EDIA afirma que “para tentarmos classificar um setor inteiro, porque houve um ou dois malandros que fizeram asneira, não pode pagar o justo pelo pecador. E aqui no olival o que nós sentimos é que estão a pintar um quadro a partir de uma exceção e isso não fica bem”.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Campanário.

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