A bioeconomia do pinhal –  A resina: passado, presente e futuro – conclusões

A bioeconomia do pinhal – A resina: passado, presente e futuro – conclusões

A substituição de combustíveis fósseis por alternativas de base biológica é um dos temas da atualidade que vai atrair, progressivamente, a atenção do cidadão-consumidor à medida que fica mais consciente sobre o impacto das suas opções diárias, em particular na capacidade de influenciar o momento de transição climática e de escassez de recursos que a nossa civilização enfrenta.

Esta mudança cria também oportunidade para o desenvolvimento de novos produtos e para a criação ou adaptação de negócios alinhados com a designada bioeconomia. Neste novo paradigma, a floresta de pinho oferece um mundo infinito de possibilidades, como a resina natural, as fibras naturais ou a casca de pinheiro.

Foi nesse sentido que o Centro PINUS, a ZERO e a RESIPINUS uniram esforços para sensibilizar o cidadão-consumidor sobre o potencial da resina natural, assinalando o Dia da Floresta Autóctone, no passado dia 23 de novembro com a conversa “A resina: presente, passado e futuro” que inaugurou um ciclo de tertúlias dedicado à Bioeconomia do Pinhal.

Nesta tertúlia,  foram realçadas as potencialidades da resina natural portuguesa e as oportunidades de futuro criadas pelo montante disponível no PRR (33 milhões de euros) que vão permitir reforçar o setor da resinagem e valorizar, ainda mais, o pinheiro-bravo em Portugal.

Foi dada a conhecer a versatilidade da resina do pinheiro-bravo e a forma como está presente numa infinidade de produtos do nosso quotidiano, desde tintas, colas, vernizes, adesivos, ceras depilatórias, mas também em cosméticos, na indústria farmacêutica e no sector alimentar. Relembrou-se, ainda, que o potencial deste recurso florestal não termina aqui e que estão a ser estudadas novas aplicações e métodos de inovação na bio-indústria em ascensão.

O novo contexto de reativação da resinagem na floresta portuguesa será uma oportunidade também para dignificar a atividade do resineiro.  Este profissional passa grande parte do ano no pinhal (da Primavera ao Outono) e é um agente importante tanto na valorização do território como na vigilância da floresta durante o período crítico de incêndios.

Recordamos a importância da resinagem na economia nacional, de acordo com os últimos Indicadores da Fileira do Pinho em 2020, compilados pelo Centro PINUS, onde se pode ver que os produtos resinosos representam 104 milhões de euros do total de 1 725 milhões de euros das exportações das indústrias da Fileira do Pinho nacional, estes números apontam para um crescimento de 1,5% em relação a 2019.

Ainda de acordo com os dados recolhidos pelo Centro PINUS, atualmente, estão registados, em Portugal, 209 operadores na extração de resina. Contabilizam-se 16  empresas industriais de 1ª e 2ª transformação desta matéria-prima que, em conjunto, representam mais de 1 500 postos de trabalho.

O preço médio da resina nacional à entrada da fábrica rondou os 1,11 €/kg sendo que, em 2020, a produção de resina nacional à entrada da fábrica ascendeu às 6 750 toneladas. De frisar  que a resinagem pode representar para o produtor uma receita adicional de 50 a 500€ por hectare.

A Bioeconomia do Pinhal” irá abordar, futuramente, temas como as aplicações da casca de pinheiro e apresentar projetos inovadores de construção. Subscrevam a newsletter do Centro PINUS em www.centropinus.org e sigam-nos no facebook e instagram e fiquem a par dos próximos eventos dedicados à floresta de pinheiro-bravo.

O filme “Resina” realizado por Paulo Lucas (ZERO) teve a sua estreia nesta tertúlia e está disponível neste link.

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