Eventos climáticos mataram mais de 74 mil pessoas em África em 2023 e 2024, afetando 64 milhões e provocando 7.155 milhões de euros em prejuízos, avançou hoje o Presidente moçambicano, pedindo celeridade no desembolso de fundos.
“O número de ocorrências aumentou de 612 para 738 eventos, que causaram mais de 74 mil mortes ao nível do nosso continente, cerca de 64 milhões de pessoas afetadas e perdas económicas superiores a 8.000 milhões de dólares norte-americanos [7.155 milhões de euros]”, disse Daniel Chapo, na abertura, em Maputo, da Conferência Africana sobre Redução do Risco de Desastres, com 500 participantes.
O chefe do Estado moçambicano citou dados do 4.º Relatório Bienal de África sobre a Implementação do Programa de Ação no quadro de Sendai para redução do risco de desastres 2023-2024, lançado hoje, em Maputo, afirmando que no documento recorda-se que, durante o biénio, as cheias, ciclones tropicais e secas representaram cerca de 90% do total dos danos causados por desastres em África.
Segundo o Presidente moçambicano, os países mais afetados foram Madagáscar, Maláui, Zimbábue, Zâmbia e África do Sul, além de Moçambique, que no período em referência foi atingido por “vários ciclones de grandes proporções e dimensões”, tais como Idai, Kenneth, Fred e Chido, cujos efeitos destruidores fizeram-se sentir em outros países da região.
“Registamos igualmente cheias de grandes proporções, como aqueles que aconteceram de janeiro a março deste ano, que causaram perdas humanas e materiais, sobretudo na região sul do nosso país e centro”, disse Daniel Chapo, recordando que Moçambique é um dos países mais vulnerável a eventos climáticos extremos.
Para Chapo, as mortes e o sofrimento causados pelos eventos climáticos extremos em África recordam que a vulnerabilidade, pobreza extrema e eventos climáticos continuam a expor milhões de africanos a riscos inaceitáveis.
Neste sentido, pediu esforços coletivos da União Africana para se avançar com investimentos na prevenção, resiliência e criação de oportunidades para as comunidades, sublinhando que é o caminho para que nenhum africano continue a arriscar a sua vida em busca de dignidade.
“O impacto destes desastres tem sido bastante severo e retarda sobremaneira os planos de desenvolvimento dos nossos países, sobretudo devido à exiguidade de recursos financeiros com que se confronta a maioria dos países africanos”, anotou o chefe do Estado.
Os apoios prometidos pelos parceiros internacionais não têm sido disponibilizados a tempo e na mesma dimensão dos desastres, o que compromete os esforços de reconstrução, acrescentou.
Moçambique prepara-se para enfrentar os impactos do fenómeno El Niño, com o chefe do Estado a elogiar os esforços dos comités locais que ajudam a travar as mortes.
Dirigindo-se aos presentes, Chapo afirmou que uma gestão eficaz dos riscos, incluindo a proteção dos progressos económicos, sociais e ambientais vão impedir a necessidade de uma reconstrução constante após estes acontecimentos.
“Devemos assentar na modernização dos sistemas de aviso prévio, no reforço de infraestruturas resilientes e na promoção de uma cultura de prevenção e prontidão. Tal implica investir em tecnologias, integração da resiliência na planificação e desenvolvimento e a capacitação das comunidades locais, através dos comités locais de gestão do risco, para responder às situações de risco e, sobretudo, do aviso prévio”, disse.
No evento, a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, lembrou que o país foi afetado por oito ciclones tropicais entre 2019 e 2025.
Segundo dados do INGD, a última época chuvosa, entre outubro e abril passados, provocou 311 mortes e afetou cerca de 1,07 milhões de pessoas.















































